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O Banco Central do Brasil se posicionou ao

O Banco Central do Brasil se posicionou ao
  • Publishedjaneiro 24, 2026

O Banco Central do Brasil se posicionou ao lado de outras cinco instituições globais na defesa da independência do Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos, após ameaça pública do ex-presidente Donald Trump de demitir a diretora do Fed, Lisa Cook. A reação ocorre diante da preocupação com interferências políticas que podem comprometer a condução da política monetária.

A independência dos bancos centrais é considerada fundamental para a estabilidade econômica, permitindo que as decisões sobre juros sejam tomadas sem pressões externas. Pesquisas acadêmicas indicam que países onde o banco central se submete a interesses políticos enfrentam inflação alta e crescimento econômico lento. Em contrapartida, bancos centrais independentes têm conseguido manter a inflação sob controle e favorecer a credibilidade das instituições.

Nos Estados Unidos, apesar de nenhum presidente ter logrado demitir diretamente um dirigente do Fed por discordância nas decisões monetárias, houve tentativas de pressão ao longo da história. O ex-presidente Richard Nixon pressionou o presidente do Fed, Arthur Burns, a manter juros baixos para favorecer sua reeleição em 1972, o que contribuiu para uma escalada inflacionária. Essa crise só foi controlada com a política monetária rigorosa de Paul Volcker, seu sucessor, que elevou juros a dois dígitos, gerando recessão mas estabilizando os preços por décadas.

Outro episódio ocorreu em 1965, quando o presidente Lyndon Johnson tentou forçar o então presidente do Fed, William McChesney Martin Jr., a acabar com a alta dos juros, chegando a agredi-lo fisicamente. Martin resistiu, temendo que o estímulo fiscal desencadeasse inflação, mas cedeu anos depois em troca da promessa presidencial de aumentar impostos. Esse acordo também deu impulso aos problemas inflacionários futuros.

Na Turquia, o presidente Recep Tayyip Erdogan tem expressado abertamente sua oposição a juros altos e demitiu quatro presidentes do banco central entre 2019 e 2023 por resistirem a sua agenda monetária. A política resultou em alta inflação, desvalorização da lira e dificuldades econômicas para a população. Em 2023, Erdogan nomeou Hafize Gaye Erkan, que elevou os juros para conter a inflação, ação seguida por seu sucessor Fatih Karahan, que endureceu ainda mais a política antes de iniciar flexibilizações recentes.

Na Argentina, a nacionalização do banco central em 1946 por Juan Perón marcou o país para décadas de crises inflacionárias recorrentes. O uso do banco para financiar gastos governamentais levou a ondas de hiperinflação. Desde 2000, diversos presidentes da instituição foram afastados por confrontos com o governo, como Martín Redrado, demitido em 2010 por não concordar em usar reservas cambiais para pagar dívidas conforme pedido da presidente Cristina Kirchner.

Na Venezuela, apesar da Constituição garantir independência ao banco central, o presidente Nicolás Maduro submeteu a instituição ao controle do Executivo, com nomeações exclusivas do governo. Após a queda dos preços do petróleo em 2014, o banco passou a imprimir moeda para cobrir déficits, provocando hiperinflação que alcançou mais de 1.000.000% em 2018, segundo estimativas.

O Zimbábue também vivenciou uma crise extrema de hiperinflação por emissão descontrolada de moeda para financiar gastos públicos na era de Robert Mugabe. Em 2009, o banco central chegou a emitir cédulas de 100 trilhões de dólares zimbabuanos como tentativa de lidar com a situação inflacionária.

A defesa da independência dos bancos centrais surge, portanto, como um fator relevante para evitar que pressões políticas comprometam a política monetária, com impactos diretos na estabilidade econômica e no bem-estar da população. O recente episódio envolvendo o Fed gerou solidariedade internacional, incluindo o posicionamento do Banco Central do Brasil, que reforça o compromisso global com instituições autônomas frente à politização desses órgãos.

Palavras-chave relacionadas: independência dos bancos centrais, Federal Reserve, política monetária, Donald Trump, inflação, estabilidade econômica, Banco Central do Brasil, crise inflacionária, pressão política, política econômica.

Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

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