Manifestantes na Dinamarca protestam contra a intenção dos Estados Unidos de anexar a Groenlândia, e consumidores no país passaram a boicotar produtos americanos. O movimento ganhou força em janeiro de 2020, especialmente em Copenhague, após declarações do presidente Donald Trump, que sugeriu a compra do território semiautônomo dinamarquês.
O boicote se intensificou com o lançamento de aplicativos que ajudam os consumidores a identificar a origem dos alimentos nos supermercados. Entre eles, o UdenUSA, criado por dois jovens dinamarqueses, Jonas Pipper e Malthe Hensberg, revela a procedência dos produtos e indica alternativas europeias.
A ideia do aplicativo surgiu após as primeiras ameaças sérias de Trump em 2019, quando o debate sobre a Groenlândia ganhou destaque na mídia internacional. O grupo de boicote criado no Facebook agregou mais de 100 mil membros, numa população total de cerca de 6 milhões de habitantes.
O UdenUSA rapidamente alcançou popularidade na Dinamarca, ficando em primeiro lugar entre os aplicativos gratuitos na App Store local em 21 de janeiro de 2020. O programa facilita a escolha dos consumidores que desejam evitar produtos originários dos Estados Unidos, apresentando opções europeias na mesma categoria.
Além do aplicativo, algumas redes de supermercados dinamarquesas passaram a destacar com estrelas os produtos de origem europeia, ampliando o acesso do público a informações sobre a procedência dos alimentos. Essa ação busca responder à demanda crescente por controle na compra de produtos diante das tensões diplomáticas.
Apesar da adesão, o impacto econômico do boicote ainda é incerto. A Dinamarca importa uma quantidade limitada de produtos alimentícios dos Estados Unidos, e sua economia tem porte relativamente modesto no cenário global.
Especialistas consideram que, mesmo com a participação de um número expressivo de consumidores, o boicote dificilmente provocará mudanças significativas nas relações econômicas ou políticas entre os países. Sascha Raithel, professor de marketing da Universidade Livre de Berlim, destaca que a influência do movimento pode ser mais simbólica do que efetiva.
As manifestações e ações relacionadas ao boicote refletem o descontentamento de parte da população dinamarquesa frente à postura dos Estados Unidos em relação à Groenlândia. O bairro central de Copenhague foi palco de protestos onde cidadãos expressaram contrariedade às declarações do presidente americano.
Do ponto de vista político, a Groenlândia é um território estratégico para a Dinamarca, com status semiautônomo e importante pela sua localização geopolítica no Ártico. A eventual transferência à administração americana representaria uma mudança relevante no equilíbrio regional.
Até o momento, o governo dinamarquês reiterou sua posição contrária à venda ou transferência da Groenlândia aos Estados Unidos, mantendo o controle sobre o território. O episódio evidenciou tensões diplomáticas e gerou debate sobre soberania e interesses internacionais na região.
Embora o boicote econômico seja uma forma de protesto adotada por consumidores na Dinamarca, o resultado prático deve ser acompanhado a médio prazo para avaliar suas repercussões reais. Por enquanto, as ações simbolizam uma resposta civil à possível intervenção americana na Groenlândia.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

