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O álbum “Gal canta Caymmi”, lançado no primeiro

O álbum “Gal canta Caymmi”, lançado no primeiro
  • Publishedjaneiro 20, 2026

O álbum “Gal canta Caymmi“, lançado no primeiro semestre de 1976, completa 50 anos em 2026 mantendo sua relevância e frescor originais. A obra reúne a cantora Gal Costa interpretando músicas do compositor Dorival Caymmi, com arranjos de João Donato e Perinho Albuquerque, e marcou uma nova fase na carreira da artista.

Na década de 1970, Gal Costa vinha conquistando prestígio com discos como “Fa-Tal – Gal a todo vapor” (1971), “Índia” (1973) e “Cantar” (1974), mas seu alcance popular ainda era limitado. O sucesso maior começou a surgir após sua participação na trilha sonora da novela “Gabriela”, da TV Globo, em 1975, com a canção inédita “Modinha para Gabriela”, de Dorival Caymmi.

A música foi tema da abertura da novela exibida entre abril e outubro de 1975, baseada no romance de Jorge Amado. O diretor Daniel Filho chegou a considerar Gal para o papel principal, mas ela permaneceu apenas na música. Em função da repercussão, a gravadora Philips lançou um single com “Modinha para Gabriela”, que teve bom desempenho comercial.

Roberto Menescal, então diretor artístico da Philips, aproveitou a oportunidade para propor a Gal um álbum inteiramente dedicado às composições de Caymmi, um formato pouco comum no mercado brasileiro na época. As gravações ocorreram em 1975, com produção e direção musical do guitarrista Perinho Albuquerque.

O disco foi lançado com uma capa fotografada por Thereza Eugenia. Logo na estreia, a canção “Só Louco” (1955) foi escolhida para a abertura da novela “O casarão”, que estreou em junho de 1976 pela TV Globo. Os arranjos do álbum foram executados por Albuquerque e João Donato, que também assina a orquestração da faixa “Só Louco”.

O álbum contou com a participação de instrumentistas como Antonio Adolfo, Dominguinhos, Luizão Maia, Novelli, Paulinho Braga e o próprio Menescal. Esse time de músicos criou uma base instrumental que destacou a voz de Gal Costa em dez canções de Caymmi.

As interpretações de Gal variam do samba “Vatapá” (1942), com andamento acelerado em arranjo de João Donato, a baladas como “Nem eu” (1952), com toque de bolero. Em “Pescaria (Canoeiro)” (1944), a cantora projeta uma força natural, enquanto em sambas como “Rainha do mar” (1939) e “Dois de fevereiro” (1957) antecipa a sonoridade tropicalista que alcançaria sucesso três anos depois.

A homenagem à Bahia e a Salvador está presente em “São Salvador” (1960), interpretada por Gal com ênfase na origem da artista. O repertório também destaca canções marítimas de Caymmi, como “O vento” (1949), que traz um arranjo evocando a ancestralidade afro-brasileira, e “Peguei um ita no Norte” (1945), com balanço suave típico dos arranjos de João Donato.

“Gal canta Caymmi” é uma homenagem feita com simplicidade e sofisticação, sem excessos, refletindo o espírito das composições que fazem parte da cultura popular baiana e brasileira. O álbum permanece atual e significativo, mesmo cinco décadas após seu lançamento.

O disco não apenas revitalizou a obra de Dorival Caymmi, mas também ampliou o alcance de Gal Costa, consolidando-a como uma intérprete ao mesmo tempo culta e popular. Sua voz, respaldada pelos arranjos e músicos de destaque, estabeleceu um marco na música nacional.

Assim, “Gal canta Caymmi” segue como um registro fundamental da música brasileira, mantendo sua importância histórica e artística entre o público e a crítica.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Vitor Souza

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