A fortuna dos bilionários atingiu um recorde em 2025, aumentando a desigualdade global e influenciando a política, segundo o relatório anual “Resistir ao domínio dos mais ricos”, divulgado nesta segunda-feira (19) pela ONG Oxfam. O documento foi lançado simultaneamente ao início do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, e destaca o papel do governo de Donald Trump nos Estados Unidos nesse cenário.
De acordo com o relatório, os 12 bilionários mais ricos do mundo possuem mais riqueza do que a metade mais pobre da população global, que corresponde a cerca de quatro bilhões de pessoas. Em 2024, o número de bilionários ultrapassou pela primeira vez a marca de 3.000, somando um patrimônio total de US$ 18,3 trilhões.
O crescimento da fortuna desses indivíduos foi de 16,2% no último ano, taxa três vezes maior do que a média dos cinco anos anteriores. Enquanto isso, a redução da pobreza global desacelera desde a pandemia de Covid-19, iniciada em 2020. A Oxfam alerta que essa concentração de riqueza permite que os ultrarricos tenham acesso privilegiado às instituições políticas e controlem meios de comunicação, o que compromete a liberdade política da maioria da população.
A ONG estima que bilionários têm cerca de 4.000 vezes mais chances de ocupar cargos políticos do que cidadãos comuns. O relatório destaca especialmente o caso dos Estados Unidos, onde o governo de Donald Trump contou com vários bilionários integrando sua equipe. O envolvimento desses indivíduos, como Elon Musk, nas eleições americanas de 2024 é ilustrado pelo fato de que aproximadamente 1 em cada 6 dólares gastos por candidatos e partidos políticos vieram de doações de bilionários.
Segundo a representante da Oxfam, Layla Abdelké Yakoub, nos EUA, políticas apoiadas pelos mais ricos têm 45% de probabilidade de serem adotadas, enquanto aquelas contrárias a seus interesses têm apenas 18%. Esse cenário reflete o monopólio da mídia, das redes sociais e o uso da inteligência artificial em favor desses interesses.
No domingo (18), durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, o presidente americano foi alvo de protestos organizados pela Juventude Socialista Suíça. Cerca de 300 manifestantes usaram máscaras de figuras públicas, como Elon Musk, o chanceler alemão Friedrich Merz e o vice-presidente americano JD Vance, e carregaram notas de euro em tamanho gigante feitas de papelão. A vice-presidente da Juventude Socialista, Nathalie Ruoss, afirmou que o fórum representa um espaço onde pessoas poderosas tomam decisões econômicas e climáticas sem legitimidade democrática, criticando a participação de Donald Trump no evento.
O diretor-geral da Oxfam, Amitabh Behar, alertou para o “círculo vicioso” causado pelas desigualdades econômicas e políticas, que aceleram a erosão dos direitos e da segurança das pessoas. Com as eleições legislativas americanas de novembro se aproximando, o relatório aponta para reduções significativas de impostos para empresas e famílias, além da isenção da taxa mínima global de 15% para multinacionais americanas.
O documento atribui ao governo Trump a implementação de medidas que beneficiam sobretudo os mais ricos em todo o mundo. Por isso, a Oxfam defende a limitação do poder dos ultrarricos por meio de uma tributação efetiva e a proibição do financiamento de campanhas políticas por bilionários.
Layla Abdelké Yakoub também chamou atenção para a resposta autoritária e violenta que algumas populações exaustas e irritadas com a desigualdade têm sofrido. Segundo ela, tecnologias como a inteligência artificial são utilizadas para rastrear, punir, sequestrar e torturar críticos do governo, questionando até onde alguns regimes estão dispostos a ir para proteger interesses da elite financeira às custas da população.
O relatório reforça a necessidade de medidas urgentes para reduzir a concentração de riqueza e garantir maior equidade política e social no mundo.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

