O petróleo venezuelano voltou ao centro das atenções

O petróleo venezuelano voltou ao centro das atenções internacionais no início de 2026 após a captura do presidente Nicolás Maduro por tropas dos Estados Unidos e declarações do ex-presidente Donald Trump sobre a riqueza petrolífera do país. A Venezuela possui reservas declaradas de cerca de 300 bilhões de barris, consideradas as maiores do mundo, mas esse número é questionado por especialistas devido a possíveis superestimativas.
Grande parte dessas reservas está concentrada na Faixa Petrolífera do Orinoco, uma extensa área que, junto aos campos do Lago de Maracaibo, compõe os maiores depósitos de hidrocarbonetos do planeta. O país mostra uma discrepância entre seu potencial de produção e a extração real, em função da complexidade e do custo para explorar o petróleo pesado presente na região.
Reservas “comprovadas” exigem a confirmação técnica e econômica de que 90% do petróleo pode ser recuperado com a tecnologia disponível. O óleo venezuelano é majoritariamente pesado e ácido, com alto teor de enxofre, o que dificulta seu refino em comparação ao petróleo leve encontrado em outras regiões. Apesar disso, esse tipo de petróleo é essencial para a produção de diesel e combustível de aviação.
Geologicamente, a Venezuela está dividida pela Cordilheira dos Andes, que atravessa os estados do oeste e sudoeste, como Táchira, Mérida e Trujillo. O relevo montanhoso, combinado com grandes bacias sedimentares, favoreceu a formação e a preservação das reservas petrolíferas ao longo de milhões de anos.
Um fator crucial para a formação das vastas reservas é a interação entre as placas tectônicas Sul-Americana, do Caribe e de Nazca. O choque entre essas placas gerou bacias sedimentares profundas, falhas geológicas e armadilhas naturais que permitiram o acúmulo do petróleo. Esses processos também originaram cadeias montanhosas que facilitaram a migração dos hidrocarbonetos para locais de acumulação, como na Faixa do Orinoco.
A história da exploração petrolífera no país teve início na década de 1910. Até 1975, a indústria esteve sob controle de empresas estrangeiras, com descobertas importantes em campos como Mene Grande e Costero Bolívar. Em 1937, começou a produção na Bacia Oriental, consolidando a Venezuela como um dos principais produtores mundiais, atrás apenas dos Estados Unidos e da União Soviética na época.
Ao longo de mais de cem anos de exploração, cerca de 75 bilhões de barris recuperáveis foram identificados, distribuídos em aproximadamente 320 campos petrolíferos, dos quais 28 são considerados gigantes.
Essas reservas se formaram a partir da sedimentação de matéria orgânica, como plâncton e algas, que se acumulou em ambientes aquáticos na era pré-histórica. Sob pressão e calor, esse material se transformou em petróleo. A rocha geradora do período Cretáceo, presente amplamente no território venezuelano, tem alta qualidade e potencial para a geração de hidrocarbonetos. Já as rochas reservatório, principalmente arenitos, são eficazes para armazenar o petróleo, enquanto falhas geológicas atuam como vias para migração e concentrações em estruturas favoráveis à extração.
A combinação entre fatores geológicos raros, como a tectônica de placas, o relevo diversificado e a composição das rochas, proporcionou à Venezuela reservas petrolíferas que, apesar dos desafios técnicos, mantêm o país como uma das principais potências do setor no mundo. No entanto, a capacidade de transformar essas reservas em produção comercial eficiente ainda enfrenta limitações tecnológicas e econômicas.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com