Protestos de agricultores na europa reagem ao acordo ue

Produtores agrícolas europeus realizaram manifestações nos últimos meses contra o acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, que será assinado neste sábado (17), argumentando que o tratado ameaça a competitividade local. Economistas apontam, porém, que o acordo é apenas parte de um conjunto mais amplo de insatisfações do setor rural na Europa.
Os agricultores europeus já enfrentavam desafios diante de políticas ambientais mais rígidas implementadas pelos governos do bloco, que exigem mudanças na produção e aumentam os custos, segundo Lia Valls, pesquisadora associada da Fundação Getulio Vargas (FGV) Ibre, e Maurício Une, economista-chefe para a América do Sul do Rabobank. O acordo agrava essa percepção, pois abre espaço para a entrada de produtos de países com custos e produtividade diferentes, como o Brasil.
Apesar da competitividade brasileira ser reconhecida, o tratado estabelece mecanismos para proteger os agricultores europeus, como salvaguardas e cotas de importação. As salvaguardas permitem suspender temporariamente benefícios tarifários sempre que as importações aumentarem acima de determinados limites, com investigações de duração reduzida para acelerar respostas. Produtos considerados sensíveis, como carnes bovina e de frango, terão limites específicos para a aplicação de tarifas reduzidas.
A agricultura na União Europeia possui forte peso político e é vista como parte do patrimônio cultural, o que justifica a proteção do setor por meio de políticas públicas, segundo Valls. A competitividade brasileira, combinada com os altos custos e menor produtividade europeus, alimenta o sentimento de ameaça entre os produtores locais.
O acordo busca equilibrar essa competição estabelecendo regras ambientais comuns para os países do Mercosul e protegendo indicações geográficas, que impedem que nomes como “presunto de Parma” sejam usados por outros países. Isso visa preservar produtos tradicionais do bloco europeu.
Segundo Maurício Une, o tratado é um estopim para uma insatisfação maior, que já vinha crescendo desde 2023 por conta das novas regras ambientais mais rígidas da UE. Entre elas está a lei de restauração ambiental, válida desde agosto de 2024, que exige a recuperação de ecossistemas nos países-membros e pode afetar as áreas produtivas agrícolas.
Outras normas relativas à redução do uso de agrotóxicos, diminuição da emissão de carbono e transição energética também aumentam os custos de produção para os agricultores. Em contrapartida, o Parlamento Europeu adiou para o final de 2026 a aplicação de uma lei que proibirá a importação de produtos relacionados ao desmatamento.
Além disso, fatores internacionais como a guerra entre Ucrânia e Rússia impactaram os preços dos insumos agrícolas, elevando custos e reforçando a insatisfação do setor. Na Europa, especialmente na França, o setor agrícola detém influência política considerável, o que torna o país porta-voz das manifestações contra o acordo.
A agricultura é percebida como parte integrante da identidade cultural europeia, associada às tradições e ao meio rural, o que fundamenta a proteção via subsídios e políticas como a Política Agrícola Comum (PAC). O bloco europeu atua para garantir rendimentos mínimos aos produtores e promover a sustentabilidade do setor.
Para atender às demandas do setor, a Comissão Europeia alterou sua proposta orçamentária para 2028-2034, liberando acesso antecipado a 45 bilhões de euros para os agricultores, buscando minimizar impactos do novo cenário.
O acordo UE-Mercosul representa uma tentativa de ampliar o comércio entre os blocos, favorecendo o agro brasileiro com a abertura de mercados e redução de barreiras tarifárias. Ao mesmo tempo, contempla salvaguardas para proteger produtores europeus, equilibrando interesses em disputa.
Em conclusão, os protestos dos agricultores europeus refletem não apenas a preocupação com o acordo comercial, mas um contexto mais amplo de tensões provocadas por novas políticas ambientais, custos crescentes e desafios geopolíticos. O tratado entre a União Europeia e o Mercosul é parte desse cenário, mas não a única causa das manifestações observadas.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com