O Irã está com um bloqueio geral de internet desde 8 de junho de 2024 para conter os protestos contra o governo que começaram em 28 de dezembro de 2023. A medida reduziu a conectividade a cerca de 1% do nível normal no país, que tem 85 milhões de habitantes.
O apagão afetou até a internet via satélite da Starlink, incomum em bloqueios anteriores, de acordo com Amir Rashidi, diretor do Miaan Group, organização que defende direitos digitais no Irã. O governo iraniano utiliza jammers, dispositivos que bloqueiam sinais perto das antenas da Starlink, para impedir o acesso ao serviço.
VPNs, que normalmente contornam restrições, também perderam eficácia. A Proton VPN informou redução nas conexões do Irã, pois a internet foi quase completamente desligada. Apesar do bloqueio inicial de chamadas internacionais, essas ligações foram liberadas em 13 de junho, segundo a agência Associated Press.
O uso de jammers para bloquear internet via satélite é um método incomum, já que provedores satelitais não precisam ter infraestrutura no país para oferecer serviço. A navegação via satélite depende de bases terrestres, muitas vezes localizadas em outros territórios, dificultando o bloqueio convencional por cabos ou antenas locais.
Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks, explica que o Irã investiu em equipamentos de alta potência espalhados pelo país para gerar interferência nos sinais de satélite e impedir o acesso. Este é considerado um avanço no controle da conectividade por parte do governo iraniano.
Esta é a terceira vez que o Irã aplica um bloqueio geral de internet. O primeiro ocorreu em 2019, após protestos contra o aumento do preço da gasolina. O segundo, em 2022, durante manifestações pela morte de Mahsa Amini, detida por suposta violação das regras do uso do véu islâmico.
Na ocasião de 2022, a internet via satélite da Starlink foi um dos principais meios usados para comunicação, e seu uso cresceu desde então, mesmo sendo proibido no país. Estima-se que dezenas de milhares de antenas da Starlink estejam instaladas no Irã, muitas delas utilizadas para registrar e divulgar imagens dos protestos.
Desde o início do bloqueio atual, o Miaan Group relatou perda de até 30% dos dados transmitidos via Starlink em todo o país, chegando a 80% em certas regiões. A União Internacional de Telecomunicações, órgão ligado à ONU, já pediu para que o Irã suspenda a interferência nos sinais de internet via satélite.
O bloqueio de internet impacta diretamente a comunicação interna e o acesso à informação no Irã, dificultando a cobertura internacional e o contato dos cidadãos com o mundo exterior. Mortes em decorrência dos protestos já podem superar 3 mil pessoas, segundo informações apresentadas em relatórios recentes.
Em 2025, o governo iraniano acusou o aplicativo WhatsApp de espionagem e colaboração com Israel, justificando parte das restrições online. A Meta, empresa dona do WhatsApp, afirmou que as mensagens são criptografadas e inacessíveis a terceiros.
O bloqueio total e a interferência nos sinais digitais refletem a estratégia do regime iraniano para controlar o fluxo de informações durante um período de instabilidade política e social no país.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

