O grupo varejista de luxo Saks Global entrou

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O grupo varejista de luxo Saks Global entrou com pedido de proteção contra falência nos Estados Unidos na noite de terça-feira (13), diante de dificuldades financeiras agravadas nos últimos meses. O pedido é um dos maiores colapsos do setor de varejo desde a pandemia de COVID-19 e pode afetar o futuro das principais marcas de luxo do país.

A petição ocorreu pouco mais de um ano depois da fusão que uniu três redes importantes do mercado de alto padrão: Saks Fifth Avenue, Bergdorf Goodman e Neiman Marcus. A empresa comunicou que as lojas continuarão abertas por ora, após a aprovação de um financiamento emergencial de US$ 1,75 bilhão e a nomeação de um novo diretor executivo.

Geoffroy van Raemdonck, ex-CEO da Neiman Marcus, substituiu Richard Baker, que estava à frente da estratégia de aquisições que elevou os níveis de endividamento do grupo. Dois executivos antigos da Neiman Marcus, Darcy Penick e Lana Todorovich, foram designados para coordenar as áreas comercial e de parcerias, respectivamente.

Em documentos enviados à Justiça norte-americana, Saks Global indicou que seus ativos e dívidas estão entre US$ 1 bilhão e US$ 10 bilhões. O processo de falência tem o objetivo de reorganizar as finanças ou encontrar um comprador; caso contrário, o fechamento das lojas poderá ocorrer.

A Saks tem história centenária, com a primeira loja inaugurada em 1867 por Andrew Saks em Nova York. Tradicionalmente, a rede atraiu clientes de classe alta e celebridades. Contudo, as mudanças no mercado de luxo, agravadas pela pandemia, reduziram as vendas presenciais, enquanto concorrentes on-line e marcas que vendem diretamente ao consumidor ganharam espaço.

O financiamento aprovado inclui uma entrada imediata de US$ 1 bilhão por meio de empréstimo de um consórcio de investidores e um crédito de US$ 240 milhões garantido por ativos da companhia. Após a recuperação, a Saks poderá acessar até US$ 500 milhões adicionais.

A empresa solicitou à Justiça um prazo de 45 dias para entregar suas demonstrações financeiras, até 13 de março de 2026. Entre os credores estão grandes companhias de luxo, como Chanel, Kering (dona da Gucci) e LVMH. Ao todo, a Saks calcula possuir entre 10 mil e 25 mil credores.

Em 2024, Baker liderou a aquisição da Neiman Marcus pela canadense Hudson’s Bay Co, controladora da Saks desde 2013, e estruturou a criação da Saks Global. Financiado em US$ 2,7 bilhões com dívidas e aportes de Amazon, Salesforce e Authentic Brands, o negócio não conseguiu reverter a perda de receita acumulada.

As dificuldades financeiras impactaram a capacidade de pagar fornecedores, o que levou à escassez de estoque e à migração de clientes para concorrentes como Bloomingdale’s, que apresentou crescimento em 2025.

Para reduzir dívidas, a empresa vendeu recentemente o imóvel da Neiman Marcus em Beverly Hills e tentou negociar parte da loja Bergdorf Goodman. Em dezembro, falhou no pagamento de mais de US$ 100 milhões em juros de títulos de dívida.

O processo de falência da Saks Global marca uma etapa crítica para o setor de varejo de luxo nos EUA, que enfrenta transformações estruturais e redução do consumo presencial. A evolução da situação dependerá da capacidade da empresa em reestruturar sua operação ou atrair novos investidores.

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Fonte: g1.globo.com

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Fonte: g1.globo.com

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