Mais da metade dos criadores de conteúdo digitais

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Mais da metade dos criadores de conteúdo digitais considerou abandonar a carreira nos últimos 12 meses, aponta estudo global da ManyChat divulgado em 2024. A pesquisa revela que o desgaste provocado por uma rotina intensa, imprevisível e mal remunerada tem levado esses profissionais a repensar a continuidade no ramo.

O levantamento entrevistou 1.000 criadores de conteúdo e 1.028 consumidores de redes sociais ao redor do mundo. Segundo os dados, 51% dos criadores cogitaram deixar a profissão, principalmente devido à exaustão, pressão por presença constante nas redes e falta de reconhecimento. O trabalho, que aparenta ser simples por conta dos vídeos curtos e postagens rápidas, exige quase 20 horas semanais só em planejamento, gravação e edição.

Além disso, interações com seguidores consomem de 2 a 3 horas por semana, podendo chegar a tempo integral na caixa de mensagens para 5% dos profissionais. Muitos sentem a obrigação de estar disponíveis para não perder engajamento e oportunidades, apesar de 83% dos usuários afirmarem não esperar respostas imediatas.

Os criadores enfrentam ainda paradoxos profissionais: precisam manter crescimento e autenticidade, monetizar sem parecer comerciais, e descansar sem desaparecer das redes. O receio de um erro pode levar ao cancelamento, uma exclusão social digital que preocupa os influenciadores.

O estigma de que criar conteúdo não é um trabalho “de verdade” persiste. Cerca de 31% relatam que o público acredita que a atividade se resume a filmar e postar, tem baixo tempo de dedicação ou que todos são ricos. Isso contrasta com a realidade apontada no estudo: muitos passam horas em tarefas administrativas, negociações e gestão financeira além da produção.

Em termos financeiros, quase três em cada quatro criadores ganham menos de US$ 10 mil por ano com seus conteúdos. Apenas 10% ultrapassam a renda de US$ 30 mil anuais. A principal fonte de receita vem dos pagamentos das plataformas (39%), seguida por parcerias e patrocínios (28%). Outras modalidades, como marketing de afiliados e cursos digitais, representam fatias menores.

Essa falta de estrutura também interfere na percepção profissional dos criadores. Apenas 14% se consideram uma empresa; 36% veem a si mesmos como uma marca, e metade se identifica apenas como pessoa que posta conteúdo.

Entre os que pensaram em desistir, os principais motivos foram ausência de crescimento (25%), baixa remuneração (23%), perda de motivação (17%), rotina cansativa (16%) e esgotamento criativo (11%). A Geração Z é a mais afetada: 55% cogitaram abandonar a profissão, evidenciando a pressão constante vivida por essa faixa etária.

O estudo também destaca o impacto emocional da vida online. Uma em cada quatro pessoas sente-se esgotada ou apática após o uso das redes sociais, enquanto uma em cada dez deseja fazer uma pausa, mas se sente impedida por obrigações ou dificuldade de desconexão. A exigência por presença contínua alimenta esse ciclo.

Para 2026, os criadores apontaram como maior desafio a competição com conteúdos gerados por inteligência artificial (IA). Também aparecem na lista a dificuldade para se destacar em ambientes saturados, criar comunidades autênticas e obter parcerias comerciais. Apesar da resistência do público — 41% não apoiariam criadores que adotem IA integralmente — muitos profissionais planejam usar IA para facilitar a produção, como brainstorm, edição e escrita.

A pesquisa reforça que, para ganhar sustentabilidade, muitos criadores precisam estruturar suas carreiras como negócios, com processos e limites bem definidos. Atualmente, para grande parte, a produção de conteúdo ainda é uma atividade paralela.

Metodologicamente, a pesquisa tem 95% de confiança, margem de erro de aproximadamente 2% e classificou os criadores em grupos por número de seguidores: iniciantes, nano, micro e estabelecidos. Os dados são autodeclarados.

O estudo da ManyChat evidencia a complexidade e os paradoxos da carreira de criador de conteúdo, destacando os desafios emocionais, financeiros e profissionais que levam muitos a reconsiderar sua permanência no mercado digital.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

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