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EUA m tarifa de 25% para países que comercializam com Irã; Brasil está na lista
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na última segunda-feira (12) que pretende impor uma tarifa adicional de 25% a países que mantêm relações comerciais com o Irã. A medida pode atingir o Brasil, que mantém fluxo de comércio bilateral com o país persa.
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Em 2025, empresas brasileiras importaram US$ 84,5 milhões do Irã, principalmente ureia, pistache e uvas secas. No sentido oposto, as exportações brasileiras ao país somaram US$ 2,9 bilhões, com destaque para produtos agrícolas como milho, soja e açúcar.
Mesmo sem definição, a possível taxação ocorre em um contexto no qual produtos brasileiros já estão sujeitos a diferentes níveis de tarifa no mercado americano.
Atualmente, as exportações do Brasil para os EUA se distribuem, de forma geral, em dois grupos: produtos que entram no país sem tarifas adicionais e mercadorias sujeitas a uma sobretaxa de 40%.
🔎 Essa configuração decorre de uma ordem executiva assinada por Trump em novembro, que eliminou a tarifa recíproca de 10% e manteve apenas a alíquota punitiva mais elevada sobre itens específicos.
Produtos isentos
Nesse contexto, alguns alimentos brasileiros passaram a integrar a lista de exceções. Incluídos nos anexos da ordem executiva americana, esses produtos foram retirados da incidência da sobretaxa de 40% e, atualmente, acessam o mercado dos EUA sem cobrança adicional.
São eles:
🥩 Carne bovina em conserva (como o corned beef)
🍊 Suco de laranja congelado
Esses itens entram hoje no mercado americano sem a incidência da sobretaxa de 40%.
Produtos com tarifa de 40%
No entanto, caso a tarifa de 25% associada ao comércio com o Irã seja efetivamente aplicada, esses produtos poderiam deixar de ser isentos e passar a enfrentar um custo adicional para acessar o mercado dos EUA.
Alguns setores industriais brasileiros continuam sujeitos à sobretaxa de 40% aplicada pelos EUA. Entre os principais exemplos estão:
👟 Calçados
🏭 Máquinas e equipamentos industriais
Esses produtos já enfrentam uma carga tarifária elevada para acessar o mercado americano. Uma eventual aplicação da nova tarifa de 25% associada ao comércio com o Irã poderia se somar às barreiras existentes, elevando a incidência total para até 65%.
O que está por trás do anúncio
Nos últimos dias, Donald Trump tem dado sinais de que os EUA podem interferir na onda de protestos que se espalha pelo Irã. Desde o fim de dezembro, milhares de pessoas têm ido às ruas nas principais cidades do país contra o regime do aiatolá Ali Khamenei.
Segundo o jornal “The Wall Street Journal”, o republicano estaria disposto a autorizar um ataque ao país, enquanto integrantes do alto escalão da Casa Branca tentam convencê-lo a priorizar uma saída diplomática.
No sábado (10), o presidente norte-americano afirmou que o Irã está “buscando a liberdade” e disse que os EUA “estão prontos para ajudar”. No dia seguinte, declarou que considera “opções muito fortes” em relação ao país.
Segundo o WSJ, a Casa Branca avalia uma proposta de última hora para conter o programa nuclear iraniano. O tema esteve no centro da guerra entre Israel e Irã, em junho de 2024, encerrada após um ataque americano.
Trump deve se reunir com auxiliares nesta terça-feira (13) para discutir opções em relação ao Irã. O presidente ainda não teria tomado uma decisão final e, embora esteja inclinado a uma ação militar, pode mudar de posição, reportou o Wall Street Journal.
Os protestos no Irã já deixaram mais de 600 mortos, segundo organizações de direitos humanos. Mais de 10 mil pessoas foram presas até esta segunda-feira. Em meio às manifestações, o governo iraniano ordenou o corte da internet, isolando o país.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante encontro na Casa Branca em 9 de janeiro de 2026
REUTERS/Kevin Lamarque
Entenda a crise no Irã
O Irã enfrenta dificuldades econômicas há anos, afetado principalmente pela reimposição de sanções pelos EUA. A medida foi adotada em 2018, quando Trump, em seu primeiro mandato, deixou o acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano.
Ao retornar à Casa Branca, em janeiro de 2025, o republicano retomou a política de pressão máxima contra o Irã.
Em setembro, sanções também foram impostas pelas Nações Unidas, o que levou o governo iraniano a realizar reuniões para tentar evitar um colapso econômico.
A situação também foi agravada pelo conflito entre Irã e Israel, em junho. À época, forças israelenses e dos EUA realizaram ataques contra alvos ligados ao programa nuclear iraniano.
Em meio a esse cenário, a população passou a enfrentar inflação elevada, superior a 40% ao ano. O descontentamento também cresceu diante da desigualdade entre cidadãos comuns e a elite do país, além de denúncias de corrupção no governo.
No fim de dezembro, o presidente do Banco Central do Irã renunciou ao cargo. A mídia iraniana afirmou que políticas recentes de liberalização econômica pressionaram a moeda local, o que levou a uma rápida desvalorização.
Somente em 2025, o rial iraniano perdeu cerca de metade de seu valor em relação ao dólar e atingiu a mínima histórica neste mês.
O contexto econômico se soma a tensões políticas internas. Desde a Revolução Islâmica de 1979, o Irã é uma república teocrática, na qual a autoridade máxima é o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Ele está no poder há mais de 30 anos.
O regime é alvo de críticas por violações de direitos humanos e restrições a liberdades sociais, especialmente entre os mais jovens, que lideraram diversos protestos nos últimos anos.
Tarifas de Trump sobre produtos brasileiros
Em abril de 2025, ao r as chamadas tarifas recíprocas, Trump aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA. Em julho, o republicano impôs um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total para 50%.
A medida, no entanto, veio acompanhada de uma extensa lista de exceções, que deixou de fora da alíquota adicional de 40% itens como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e autopeças, fertilizantes e produtos do setor energético. A taxação entrou em vigor em 6 de agosto.
Já em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas. Meses antes da decisão, em discurso na ONU, o republicano afirmou ter tido uma “química excelente” com Lula.
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com