Agricultores franceses realizaram nesta terça-feira (16) um novo protesto em Paris contra o acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, alegando que o tratado ameaça a agricultura local com concorrência desleal de produtos importados. A manifestação, organizada pela FNSEA, reuniu produtores rurais que levaram tratores à capital francesa para reforçar a oposição ao acordo.
O protesto ocorreu apenas alguns dias após outra mobilização na qual agricultores já haviam utilizado tratores para bloquear pontos turísticos como a Torre Eiffel e o Arco do Triunfo. A FNSEA, uma das maiores centrais sindicais rurais da França, lidera as ações contrárias ao acordo sancionado na última sexta-feira pelos Estados-membros da UE, apesar da resistência expressa pelo governo francês.
Segundo Damien Greffin, vice-presidente da FNSEA e agricultor na região de Paris, o pacto foi aprovado mesmo sem o aval formal do Parlamento Europeu. Ele afirma que o acordo poderá resultar na entrada de produtos estrangeiros que competem de forma desleal com a produção nacional, já que não respeitam os mesmos padrões impostos aos agricultores franceses.
Agricultores têm programado novas ações, incluindo manifestações em frente ao Parlamento francês e na sede do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, prevista para o dia 20 de janeiro. As mobilizações fazem parte de um movimento que se estende há meses, abrangendo além da França, outros países europeus contrários ao acordo comercial.
O pacto UE-Mercosul, que envolve países da América do Sul como Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, foi apresentado como uma oportunidade para facilitar o comércio entre as regiões. Contudo, o setor agrícola europeu expressa preocupação com o impacto das importações sobre a produção local e a manutenção de normas ambientais e sanitárias.
Na França, a discordância em relação ao acordo também gerou pressão política sobre o governo, com partidos da oposição apresentando moções de censura e aprofundando a crise em meio a dúvidas sobre a sustentabilidade econômica para os agricultores nacionais.
Representantes rurais independentes, como a Coordination Rurale, já organizaram ações de protesto para chamar a atenção da sociedade e das autoridades para a ameaça que, segundo eles, o comércio solucionado traria às atividades agrícolas locais.
A polêmica envolve ainda debates sobre padrões técnicos, ambientais e sociais na agricultura, uma vez que o acordo poderá permitir a entrada no mercado europeu de produtos com regulamentações diferentes. Esse ponto tem sido um dos principais focos das críticas dos setores produtores.
Enquanto os agricultores franceses buscam adiar ou reverter a implementação do acordo, países do Mercosul veem o tratado como uma oportunidade para ampliar as exportações e fortalecer a integração econômica com o bloco europeu.
O desenrolar dessa disputa poderá influenciar as relações comerciais entre a UE e o Mercosul nos próximos anos, refletindo as tensões existentes entre interesses econômicos, regulatórios e sociais nos dois lados do Atlântico.
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Fonte: g1.globo.com
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