O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou a pressão sobre o Federal Reserve ao ameaçar acusar criminalmente o presidente do banco central, Jerome Powell, por comentários feitos ao Congresso sobre um projeto de reforma predial. A ação ocorreu no início de janeiro de 2025, em Washington, e é vista como parte da tentativa de Trump de obter maior influência sobre a política de juros do país.
Powell anunciou que o Departamento de Justiça enviou intimações do grande júri relacionadas ao seu depoimento no Senado sobre os custos excedentes de uma reforma de US$ 2,5 bilhões para a sede do Fed. Ele classificou a ameaça como um pretexto para interferir na independência do Federal Reserve, que define a taxa de juros com base em avaliações técnicas e não em pressões políticas.
O senador republicano Thom Tillis, membro do Comitê Bancário do Senado, afirmou que a ameaça de indiciamento compromete a independência e a credibilidade do Departamento de Justiça. Tillis também declarou que se oporá à indicação de novos membros para o Fed feita por Trump até que a questão legal seja resolvida.
Powell, nomeado por Trump em 2018, tem seu mandato previsto para terminar em maio de 2025, mas o episódio gera especulações sobre a possibilidade de sua permanência no cargo. Essa disputa ocorre em um momento em que o presidente pressiona para reduzir significativamente a taxa de juros, buscando aliviar os custos de empréstimos como parte de sua agenda econômica para o segundo mandato.
A iniciativa do governo já provocou reações cautelosas nos mercados financeiros, que observam com atenção os desdobramentos do conflito entre o Executivo e o banco central. Autoridades e analistas alertam para possíveis efeitos adversos que a escalada na tensão pode causar à economia.
Trump afirmou desconhecer as ações do Departamento de Justiça e criticou a atuação de Powell no Fed e na reforma dos prédios, declarando isso em entrevista à NBC News. Um porta-voz do Departamento de Justiça não comentou diretamente o caso, mas disse que o procurador-geral prioriza investigações contra abusos envolvendo recursos públicos.
O confronto entre Trump e o Fed ocorre em meio a outros episódios envolvendo autoridades do banco central, como a tentativa do presidente de demitir a diretora Lisa Cook, que enfrenta análise na Suprema Corte em paralelo a esses eventos. A independência do Federal Reserve é vista como fundamental para a estabilidade econômica, especialmente na condução da política monetária.
Analistas indicam que a pressão política sobre o Fed pode comprometer a confiança do mercado e dificultar o controle da inflação, um dos principais desafios enfrentados pelos Estados Unidos nos últimos anos. A situação reflete o tensão entre o Executivo e o banco central sobre a condução da economia no contexto do segundo mandato de Trump.
Em resumo, o governo de Trump elevou a tensão com o Federal Reserve ao ameaçar criminalmente seu presidente, Jerome Powell, medida que gera controvérsia sobre a autonomia do banco central e seus impactos no cenário econômico e político dos EUA. A disputa envolve questões legais, institucionais e financeiras, que devem continuar a influenciar o debate público nas próximas semanas.
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Palavras-chave relacionadas: Donald Trump, Federal Reserve, Jerome Powell, política monetária, taxa de juros, Departamento de Justiça, Congresso dos EUA, independência do banco central, reforma predial, investigações criminais, economia dos Estados Unidos, Senado dos EUA, Lisa Cook, Supremas Corte.
Fonte: g1.globo.com
Fonte: g1.globo.com

