Jerome powell denuncia pressão política sem precedentes do g

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O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, afirmou neste domingo (11) que o Departamento de Justiça notificou a instituição com intimações e ameaçou apresentá-lo a uma acusação criminal relacionada ao seu depoimento ao Senado, que tratou da reforma dos prédios históricos do banco central. Segundo Powell, a medida configura uma pressão política sem precedentes, com o objetivo de influenciar a política monetária dos Estados Unidos, especialmente para acelerar cortes na taxa de juros.

Powell explicou que as intimações não se sustentam nem pelo conteúdo do projeto de reforma nem pela função de fiscalização do Congresso. Ele classificou a situação como uma escalada de pressões políticas para constranger o Fed. “Ninguém — certamente nem o presidente do Fed— está acima da lei. Mas essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua do governo”, disse Powell.

Na segunda-feira, a Casa Branca informou que o presidente Donald Trump não ordenou qualquer investigação contra o chefe do Fed. A secretária de imprensa, Karoline Leavitt, negou que o governo tenha direcionado o Departamento de Justiça para investigar Powell por suposto erro em seu depoimento sobre as reformas do complexo da sede do Fed em Washington.

Esta é a primeira vez desde que assumiu o comando do Fed, em 2018, que Powell atribui publicamente à administração Trump uma tentativa de interferência política na condução da política monetária. Ele afirmou que a pressão do governo traz um risco para a independência da instituição, que deve definir as taxas de juros com base em dados econômicos, e não por meio de “pressão política ou intimidação”.

A tensão faz parte de um conflito mais amplo entre Trump e Powell, em que o presidente dos EUA pressiona por cortes mais rápidos nas taxas de juros, culpando o Fed por restringir o crescimento econômico. Trump chegou a cogitar publicamente a demissão de Powell, apesar das proteções legais do mandato do presidente do banco central.

O conflito recente tem origem na reforma dos prédios do Fed, que envolve a modernização da infraestrutura antiga da instituição. O projeto foi questionado por membros do governo Trump, descrito por eles como excessivamente caro. Powell reforçou que as atualizações são necessárias e que o Fed manteve o Congresso informado por meio de depoimentos e comunicações oficiais.

Apesar disso, o tema foi usado como justificativa para ampliar a pressão política contra o banco central. Powell afirmou que as acusações criminais não têm relação com a supervisão do Congresso e devem ser consideradas no contexto das tentativas mais amplas de influenciar a política de juros.

A repercussão do episódio foi sentida nos mercados financeiros nesta segunda-feira, com o Dow Jones caindo 0,12% e o índice dólar global recuando 0,37%. O ouro, ativo tradicionalmente usado como proteção em momentos de tensão, subiu 2,38%, alcançando US$ 4.617 por onça.

O economista-chefe do Goldman Sachs, Jan Hatzius, comentou que a ameaça criminal a Powell reforça as preocupações sobre a independência do Fed. Durante um evento em Londres, Hatzius destacou que Powell tomará decisões baseadas em dados econômicos ao longo de seu mandato remanescente.

Ex-integrantes do alto escalão econômico dos EUA também reagiram ao episódio. Em declaração conjunta, ex-presidentes do Fed e ex-secretários do Tesouro classificaram a investigação contra Powell como uma tentativa inédita de minar a autonomia do banco central. O grupo alertou que ataques criminais a autoridades monetárias são comuns em países com instituições frágeis e podem afetar negativamente a inflação e o funcionamento da economia.

Eles reforçaram que a independência do Federal Reserve é fundamental para o desempenho econômico e para alcançar as metas do Congresso relacionadas a preços estáveis, pleno emprego e taxas de juros moderadas no longo prazo.

Em meio a esse cenário, o presidente do Fed mantém sua defesa pela autonomia institucional, ressaltando a importância de políticas monetárias baseadas em evidências econômicas, sem interferências políticas externas.

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Fonte: g1.globo.com

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Fonte: g1.globo.com

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