O Brasil decidiu encerrar a custódia da embaixada argentina em Caracas, medida oficializada em 2024, motivada por mudanças no cenário político venezuelano e como um recado ao governo do argentino Javier Milei. A decisão envolve aspectos diplomáticos e questões de segurança para a oposição venezuelana ligada à embaixada.
Desde 2023, o Itamaraty assumia a proteção da embaixada argentina na capital venezuelana, especialmente para garantir a segurança da equipe ligada à opositora Maria Corina Machado. No entanto, desde maio de 2024, esses assessores já não estavam mais no local, o que, segundo diplomatas brasileiros, cumpriu uma das principais missões da operação.
O governo brasileiro acrescenta que o recente contexto político, com a captura do ex-presidente Nicolás Maduro e o reconhecimento do governo interino de Delcy Rodríguez, exige uma revisão das estratégias diplomáticas em Caracas. Essa situação alterou o panorama que motivou a permanência brasileira no comando da embaixada argentina.
Além das razões técnicas, interlocutores do Itamaraty indicam que a saída é também uma resposta às atitudes do presidente argentino Javier Milei. Milei, alinhado ao ex-presidente dos EUA Donald Trump, publicou mensagens nas redes sociais comemorando a captura de Maduro e provocando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que gerou reação por parte de diplomatas brasileiros.
Uma fonte próxima ao Itamaraty afirmou que o Brasil atendeu ao pedido argentino para proteger a embaixada e a equipe da oposição venezuelana por mais de nove meses. A mesma fonte qualificou como “incoerente e injusto” o comportamento do governo Milei após a ajuda prestada pelo Brasil.
Outra fonte diplomática lembrou que, em maio de 2024, diante do risco de colapso energético na Argentina, o Brasil também colaborou ao destravar o fornecimento de gás natural por meio da Petrobras. Apesar dessas ações, os ataques presidenciais argentinos foram percebidos como desrespeitosos aos esforços brasileiros.
O Itamaraty afirma que a responsabilidade pela administração da embaixada argentina passa agora ao próprio governo de Buenos Aires. Diplomatas brasileiros ressaltam que já cumpriram sua parte, e que a relação bilateral permanece, apesar das tensões provocadas por divergências entre os presidentes Lula e Milei.
Embora o clima político entre os dois países tenha apresentado desafios recentes, fontes oficiais garantem a continuidade do diálogo institucional, ressaltando que as relações entre Brasil e Argentina permanecem firmes no âmbito das políticas de Estado.
Os desdobramentos dessa decisão poderão impactar a atuação diplomática brasileira na Venezuela e a dinâmica das relações regionais na América do Sul, especialmente diante do contexto político instável no país vizinho.
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Fonte: g1.globo.com
Fonte: g1.globo.com

