O autor de novelas Manoel Carlos morreu neste

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O autor de novelas Manoel Carlos morreu neste sábado (10), no Rio de Janeiro, aos 92 anos. A informação foi confirmada pela família, que não divulgou a causa da morte. Conhecido por sua contribuição à dramaturgia brasileira, Manoel Carlos deixou legado marcado por retratos do núcleo familiar e ambientação no Rio de Janeiro.

Além de autor, Manoel Carlos atuou como produtor, diretor, escritor e ator. Era pai da atriz Júlia Almeida e da roteirista Maria Carolina, que colaborou em suas obras. Teve outros três filhos que já faleceram: o dramaturgo Ricardo de Almeida, o diretor Manoel Carlos Júnior e o estudante de teatro Pedro Almeida.

A carreira do profissional começou nos palcos aos 17 anos. Em 1972, estreou na TV Globo como diretor-geral do programa “Fantástico”, cargo que ocupou por três anos. Em 1978, escreveu sua primeira novela para a emissora, “Maria, Maria”, adaptando o romance “Maria Dusá”, de Lindolfo Rocha. No mesmo ano, adaptou “A Sucessora”, de Carolina Nabuco.

Seu estilo ficou conhecido pela ambientação do Rio de Janeiro não só como cenário, mas também como elemento significativo dentro das tramas. Os conflitos familiares foram tema recorrente, explorando valores, dilemas e emoções do cotidiano. As heroínas chamadas “Helenas”, mães dispostas a enfrentar desafios maiores pelo amor aos filhos, tornaram-se marca registrada de suas novelas.

Manoel Carlos explicava que o nome “Helena” tem origem na mitologia grega, simbolizando uma mulher forte e guerreira. Essas personagens apresentam moral ambígua, unindo dedicação maternal com limites pessoais e fugas da verdade para proteger a família. A primeira Helena apareceu em “Baila Comigo” (1981), interpretada por Lílian Lemmertz.

Entre os trabalhos mais conhecidos estão “Felicidade” (1991), “História de Amor” (1995), “Por Amor” (1998), “Laços de Família” (2000), “Mulheres Apaixonadas” (2003), “Páginas da Vida” (2006), “Viver a Vida” (2009) e “Em Família” (2014). A última Helena, interpretada por Julia Lemmertz, filha da primeira intérprete Lilian Lemmertz, marcou o fim da série de personagens.

A novela “Laços de Família” trouxe uma das cenas emblemáticas da dramaturgia brasileira quando a personagem Camila, vivida por Carolina Dieckmann, raspa a cabeça. O autor afirmou que escreveu a personagem especialmente para a atriz. As produções de Manoel Carlos receberam diversos prêmios, entre eles o Troféu Imprensa e o Prêmio Extra de Televisão.

Artistas e colegas lamentaram a morte do escritor. A atriz Lilia Cabral destacou em entrevista à GloboNews a importância de Manoel Carlos em sua carreira, citando a transformação no modo como passou a ser reconhecida como atriz. Lilia afirmou desejar ter agradecido pessoalmente ao autor e ressaltou a presença constante da obra dele em sua trajetória.

Nascido em São Paulo, em 1933, Manoel Carlos se considerava carioca de coração. Iniciou a vida profissional aos 14 anos como auxiliar de escritório, mas desde jovem esteve envolvido com literatura e teatro, participando do grupo “Adoradores de Minerva”, que incluía nomes como Fernanda Montenegro e Fernando Torres. Essa vivência influenciou sua formação e visão artística.

Antes de se consolidar como autor na Globo, Manoel Carlos trabalhou em várias emissoras, adaptando e escrevendo programas, dirigindo e atuando. Passou por TV Tupi, TV Excelsior, TV Rio, TV Record e outras. Na Record, participou de produções de programas populares como “Hebe Camargo” e “Chico Anysio Show”.

Além das novelas, Manoel Carlos escreveu minisséries como “Presença de Anita” (2001) e “Maysa – Quando Fala o Coração” (2009). Também utilizou sua dramaturgia para abordar temas sociais e campanhas, tais como doação de medula óssea, combate ao alcoolismo, violência contra a mulher, preconceito e inclusão social.

Manoel Carlos deixa um legado amplo e influente na história da televisão brasileira, reconhecido por sua abordagem centrada na família, na representação do Rio de Janeiro e na criação de personagens complexas. O impacto de seu trabalho reflete-se tanto na arte quanto em ações sociais vinculadas às suas novelas.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

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