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Desde 1950, o Teste de Turing tem sido referência para

Desde 1950, o Teste de Turing tem sido referência para
  • Publishedjaneiro 10, 2026

Desde 1950, o Teste de Turing tem sido referência para avaliar se máquinas exibem comportamento semelhante ao humano, questionando se as máquinas já “pensam” como pessoas. Criado pelo matemático Alan Turing, o teste propõe que, caso um computador convença um humano de que é outra pessoa em uma conversa por texto, ele pode ser considerado “inteligente”.

O teste consiste em um jogo de imitação: uma pessoa conversa via texto com um humano e com uma máquina sem saber qual é qual, podendo fazer perguntas livres para tentar identificá-los. Se o interlocutor não conseguir distinguir a máquina do humano, a máquina teria passado no teste.

Em 2014, um chatbot chamado Eugene Goostman alegou ter passado no teste ao convencer 33% dos avaliadores, superando a taxa mínima de 30% estabelecida pelos organizadores. No entanto, o resultado gerou controvérsia, pois o programa simulava um garoto ucraniano de 13 anos, o que disfarçava algumas falhas linguísticas do chatbot, segundo críticos.

Mais recentemente, em 2025, uma pesquisa liderada pelo psicólogo Cameron Jones revelou que ferramentas mais avançadas, como o ChatGPT 4.5 e Llama 3.1, foram julgadas humanas em 73% e 56% das avaliações, respectivamente. Esses resultados indicam que esses sistemas de IA conseguem imitar humanos com alto grau de sucesso, embora ainda haja dúvidas sobre a real compreensão dessas máquinas.

O filósofo John Searle propôs em 1980 o chamado “argumento do quarto chinês”, que questiona a inteligência das máquinas mesmo que seus comportamentos sejam convincentes. O experimento mental descreve um homem que, sem entender chinês, manipula símbolos para responder corretamente a perguntas em chinês, sem compreender seu significado. Da mesma forma, máquinas podem responder adequadamente sem “entender” o conteúdo que processam.

Especialistas como Markus Pantsar e George Mappouras afirmam que o Teste de Turing avalia principalmente a habilidade da máquina de enganar o interlocutor, e não necessariamente sua inteligência real. Pantsar criou o Teste de Inteligência Baseado em Comunidade (CBIT), que insere sistemas de IA em ambientes naturais, como comunidades online, para testar se os membros conseguem perceber a presença da máquina ao longo do tempo.

Mappouras sugere um teste que avalia a capacidade da IA de propor e explicar novos conhecimentos científicos, apontando para uma inteligência artificial geral, ainda teórica. Esses métodos buscam ir além da mera imitação humana e focar na utilidade e na compreensão real das máquinas.

Apesar das críticas, o Teste de Turing continua relevante para medir a flexibilidade e a dinâmica da inteligência artificial, especialmente em interações cotidianas na internet. Segundo Jones, com o aumento das interações online, torna-se cada vez mais importante identificar quando estamos conversando com uma máquina para estabelecer critérios claros de transparência e responsabilidade.

Na visão de Pantsar, máquinas cada vez mais indistinguíveis das pessoas obrigarão a criação de marcos legais que exijam a declaração clara de que se trata de uma IA, para atribuição de responsabilidade sobre conteúdos produzidos. A discussão sobre inteligência artificial e consciência ainda está em aberto, mas os avanços indicam que o desafio de distinguir humanos de máquinas deve se intensificar.

Palavras-chave relacionadas: Teste de Turing, inteligência artificial, Alan Turing, ChatGPT, IA, argumento do quarto chinês, automatização, ética em IA, machine learning, inteligência artificial geral.

Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

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