Economia

Quatro fundos investigados por ligação com o crime

Quatro fundos investigados por ligação com o crime
  • Publishedjaneiro 9, 2026

Quatro fundos investigados por ligação com o crime organizado participaram de um esquema de fraude envolvendo o Banco Master, segundo denúncia feita pelo Banco Central ao Ministério Público Federal em 17 de novembro. A investigação aponta que esses fundos teriam sido usados para inflar artificialmente os ativos do banco, permitindo que recursos voltassem ao controle do dono da instituição, Daniel Vorcaro, e de diretores do banco.

De acordo com a apuração do Banco Central, os fundos em questão são administrados pela Reag DTVM, empresa do setor financeiro que foi alvo da Operação Carbono Oculto, uma investigação ligada à lavagem de dinheiro envolvendo a máfia dos combustíveis e o Primeiro Comando da Capital (PCC). As operações suspeitas podem chegar a R$ 11,5 bilhões em transações.

O esquema operaria por meio da concessão de empréstimos pelo Banco Master a empresas que aplicavam esses recursos em fundos de investimento. Esses fundos compravam ativos de baixa liquidez e valor inflado, simulando aportes de capital no banco. Os ativos comprados retornariam, direta ou indiretamente, a fundos ligados a Daniel Vorcaro e a pessoas próximas a ele.

Os técnicos do Banco Central explicam que essa operação dava a aparência de que o banco possuía recursos suficientes para continuar operando, embora os valores registrados não correspondessem à realidade dos ativos. Um exemplo do esquema descrito é a negociação interna de títulos que poderiam ser avaliados em R$ 100, mas eram contabilizados por até R$ 1.000, elevando artificialmente o patrimônio.

A “Notícia de Fatos” enviada pelo Banco Central ao MPF indica indícios de crimes contra o sistema financeiro nacional cometidos por administradores do Banco Master e da Reag DTVM. O documento também relata falhas graves na gestão de riscos por parte das instituições envolvidas.

Entre julho de 2023 e julho de 2024, o Banco Master realizou operações estruturadas de crédito corporate que somaram R$ 11,5 bilhões, concentradas em poucos clientes e em desacordo com princípios de seletividade, liquidez e diversificação de riscos. Muitas dessas operações tinham como garantia fundos de investimento que deveriam funcionar como fundos de liquidez, mas apresentavam problemas.

Técnicos do Banco Central afirmam que o gerenciamento inadequado dos riscos foi deliberado para evitar a reavaliação dos ativos a valores mais próximos da realidade. O valor inflado dos ativos serviu para justificar aportes de capital exigidos pela autoridade reguladora.

Toda essa investigação deu origem ao processo que culminou na liquidação extrajudicial do conglomerado Master, decretada em novembro pelo Banco Central. A decisão considerou o esgotamento das alternativas no mercado, a situação crítico-financeira da instituição e a identificação de irregularidades que comprometiam sua solvência.

Além disso, o caso foi encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU). O ministro Jhonatan de Jesus, relator do processo no tribunal, determinou uma inspeção técnica nos documentos do Banco Central. Essa medida foi suspensa após reações contrárias e a abertura de um processo de mediação.

A apuração segue em andamento para esclarecer o envolvimento das instituições e apontar responsabilidades no esquema de fraude que contribuiu para a crise do Banco Master.

Palavras-chave relacionadas: Banco Master, fraude financeira, Banco Central, Ministério Público Federal, Reag DTVM, lavagem de dinheiro, crime organizado, PCC, Operação Carbono Oculto, liquidação extrajudicial, Daniel Vorcaro, sistema financeiro nacional, Tribunal de Contas da União.

Fonte: g1.globo.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

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