O Brasil registrou o maior número de denúncias

O Brasil registrou o maior número de denúncias de trabalho escravo e condições análogas à escravidão em 2025, com 4.515 casos reportados, um aumento de 14% em relação a 2024. Os dados foram divulgados pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e indicam uma tendência de alta nos últimos anos.
Janeiro de 2025 foi o mês com mais denúncias desde a criação do Disque 100, em 2011, totalizando 477 registros. Desde o início do canal, mais de 26 mil denúncias relacionadas a trabalho escravo foram feitas em todo o país.
As denúncias incluem casos de trabalho escravo infantil, jornadas exaustivas, condições degradantes, servidão por dívida e restrição de liberdade. Tais situações configuram crime segundo a legislação brasileira.
O número anual de denúncias vem crescendo de forma contínua: em 2021 foram 1.918, em 2022 subiu para 2.084, em 2023 chegou a 3.430 e em 2024 totalizou 3.959 casos. O recorde anterior, até então, havia sido registrado em 2013, com 1.743 denúncias.
Paralelamente ao aumento das denúncias, o volume de resgates de trabalhadores em condições análogas à escravidão também permanece elevado. Em 2024, foram resgatadas 2.186 pessoas, conforme dados da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Desde 1995, ano em que o Estado brasileiro reconheceu formalmente o trabalho escravo contemporâneo, aproximadamente 65,6 mil pessoas já foram resgatadas, resultado de mais de 8,4 mil ações fiscais realizadas em todo o território nacional.
As operações de fiscalização são conduzidas principalmente pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel, coordenado pelo Ministério do Trabalho com apoio das unidades regionais.
Em 2024, a construção civil e o agronegócio foram os setores com maior número de trabalhadores resgatados. Destacam-se a construção de edifícios (293 resgatados), o cultivo de café (214), o cultivo de cebola (194), os serviços de preparação de terreno, cultivo e colheita (120) e a horticultura, exceto morango (84).
Um dado significativo revela que 30% dos trabalhadores resgatados em 2024 estavam em áreas urbanas, apontando para o crescimento do trabalho escravo fora do meio rural, tradicionalmente associado à agricultura.
Especialistas indicam que o aumento das denúncias pode refletir tanto a ampliação dos canais e mecanismos de denúncia quanto a maior conscientização da população, e não necessariamente o crescimento isolado do crime.
Mesmo assim, os dados indicam que o trabalho escravo continua como um problema estrutural no Brasil.
O Disque 100 permanece como um canal aberto 24 horas por dia para denúncias de violência e violações de direitos humanos, incluindo trabalho escravo. As ligações podem ser feitas gratuitamente de qualquer telefone fixo ou móvel em todo o país.
Além disso, o governo disponibiliza o Sistema Ipê, plataforma online que permite o registro anônimo de denúncias de trabalho análogo à escravidão, reunindo informações para as autoridades responsáveis.
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania analisa as denúncias recebidas e encaminha os casos para os órgãos de proteção e fiscalização, fortalecendo a rede de combate ao trabalho escravo.
Palavras-chave: trabalho escravo, denúncias, Ministério dos Direitos Humanos, Disque 100, resgate de trabalhadores, fiscalização trabalhista, Ministério do Trabalho, agronegócio, construção civil, condições análogas à escravidão.
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com