Economia

O acordo de livre comércio entre o Mercosul

O acordo de livre comércio entre o Mercosul
  • Publishedjaneiro 9, 2026

O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, aprovado provisoriamente pelos países europeus nesta sexta-feira (9), deve reduzir gradualmente as tarifas sobre vinhos e chocolates europeus importados pelo Brasil, o que pode baratear o preço dos vinhos e ampliar a oferta de chocolates premium no país. A medida ainda depende de confirmações formais e deve impactar o mercado nos próximos anos.

Atualmente, o Brasil paga uma taxa de importação de 27% sobre vinhos europeus, que será zerada entre 8 e 12 anos, dependendo do produto, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Já os chocolates europeus, hoje com imposto de 20%, terão a tarifa reduzida a zero em prazos de 10 a 15 anos, conforme o tipo de produto, embora o governo brasileiro ainda não tenha detalhado quais se enquadram em cada categoria.

Especialistas destacam que a eliminação gradual das tarifas deve estimular a diversificação dos vinhos oferecidos no mercado brasileiro, ao facilitar a importação de rótulos europeus mais acessíveis. Atualmente, vinhos do Chile e da Argentina são mais competitivos por terem maior produção e menor carga tributária no Brasil. Com o acordo, os vinhos europeus devem seguir essa tendência ao longo do tempo, o que pode beneficiar os consumidores.

O economista Marcos Troyjo, responsável pelas negociações do acordo entre 2019 e 2020, afirmou que a redução progressiva das tarifas dará tempo para a adaptação dos produtores brasileiros, principalmente os do Rio Grande do Sul. Segundo ele, a maior oferta no mercado pode aumentar o consumo e gerar expansão no setor, incluindo emprego em diversas áreas relacionadas à cadeia do vinho.

No caso dos chocolates, o Brasil já possui uma indústria local diversificada, capaz de atender diferentes faixas de preços. A redução do imposto deve favorecer a entrada e expansão de marcas premium europeias, que hoje não têm grande presença nacional. No entanto, especialistas afirmam que isso não necessariamente resultará em preços mais baixos para o consumidor final, pois produtos de alto padrão mantêm preços elevados devido ao posicionamento de mercado.

Roberto Kanter, professor da FGV, destaca que os importadores serão os principais beneficiados pela diminuição das tarifas, pois poderão aumentar a margem de lucro e ampliar a distribuição. Marcas como Lindt, que já possuem lojas em capitais brasileiras, podem abrir pontos de venda em cidades menores. A oferta pode crescer, mas o acesso continuará restrito a um público de classe A, que já consome chocolates importados de luxo.

O governo brasileiro isentou desde março deste ano o azeite de oliva importado da União Europeia, outra categoria beneficiada pelo acordo. Contudo, a aprovação definitiva do pacto depende do envio de confirmações por escrito pelos países da UE, com prazo até esta sexta-feira (9).

Até agora, o governo não detalhou quais tipos específicos de vinhos e chocolates receberão redução tarifária em cada prazo previsto. A expectativa é que o acordo fortaleça as relações comerciais entre os blocos e amplie a variedade de produtos europeus disponíveis no mercado brasileiro, com impactos graduais para consumidores e setores produtivos.

Palavras-chave: acordo Mercosul-UE, importação de vinhos, redução tarifária, chocolates premium, comércio Brasil-Europa, setor vinícola, mercado de chocolates, importação de azeite, tarifas de importação, indústria de vinhos, indústria de chocolates.

Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

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Caio Marcio

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