Economia

A Itália sinalizou nesta semana apoio ao acordo

A Itália sinalizou nesta semana apoio ao acordo
  • Publishedjaneiro 9, 2026

A Itália sinalizou nesta semana apoio ao acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, o que pode destravar a ratificação do tratado nesta sexta-feira (9), durante reunião dos embaixadores da UE. O posicionamento de Roma é considerado decisivo para a aprovação do pacto, negociado há mais de 25 anos, que busca reduzir tarifas de importação e exportação entre os blocos.

O governo italiano vinha apresentando hesitação devido a preocupações do setor agrícola, mas o país agora apoia o texto que inclui salvaguardas para proteger os produtores locais. Essas medidas simplificam e aceleram a imposição de barreiras temporárias às importações em caso de prejuízos, alterando regras prévias sobre comprovação e prazos de investigação.

Em especial, o gatilho para ativação dessas salvaguardas foi reduzido de 10% para 5% de aumento médio em importações ao longo de três anos para produtos sensíveis, como carne bovina e aves. O prazo para análise caiu de seis para três meses, podendo chegar a dois meses para o setor agrícola. Além disso, não é mais necessária a comprovação detalhada de dano econômico, bastando a “presunção de prejuízo”.

Especialistas apontam que a Itália exerce um papel-chave no processo de aprovação do acordo. A ratificação exige maioria qualificada no Conselho Europeu, ou seja, o apoio de países que representem pelo menos 65% da população da UE. Como um país populoso, o voto italiano será um fator determinante para o resultado final.

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, reiterou que o país pode apoiar o acordo se forem atendidas as preocupações do setor agrícola, o que dependeria de ações da Comissão Europeia. No mês anterior, os presidentes do órgão executivo europeu e do Conselho Europeu enviaram carta ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva reforçando o compromisso de assinatura do tratado ainda em janeiro.

Por outro lado, a França mantém posição contrária ao acordo. O presidente Emmanuel Macron afirmou que seu país votará contra o pacto durante a reunião desta sexta-feira. A resistência francesa está associada ao receio de impacto na agricultura local, preocupada com concorrência de produtos latino-americanos potencialmente mais baratos e com padrões ambientais diferentes.

Além da França, países como Irlanda, Hungria e Polônia também se posicionam contra o acordo. Recentemente, o governo francês suspendeu temporariamente a importação de determinados produtos agrícolas da América do Sul que contenham resíduos de agrotóxicos proibidos pela UE.

Em contrapartida, Alemanha e Espanha defendem o avanço do tratado. Segundo o chanceler alemão Friedrich Merz e o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, o pacto pode ajudar a Europa a reduzir dependência da China, ampliar acesso a minerais estratégicos e equilibrar disputas comerciais, especialmente diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos europeus.

O acordo, quando implementado, criará a maior zona de livre comércio do mundo e abarcará não só o setor agrícola, mas também indústria, serviços, investimentos e propriedade intelectual. A expectativa é que ele promova a integração econômica entre os dois blocos e impulsione o comércio bilateral.

A reunião dos embaixadores da UE prevista para esta sexta-feira terá como foco justamente a ratificação do texto final do tratado. O resultado dependerá do alinhamento das posições de países-chave, especialmente Itália e França, definidos como pilares na votação que exige maioria qualificada. O desfecho desse processo deve determinar as próximas etapas para a implementação do acordo.

**Palavras-chave relacionadas:** Acordo UE-Mercosul, União Europeia, Mercosul, Itália, França, comércio internacional, ratificação, salvaguardas agrícolas, Giorgia Meloni, Emmanuel Macron, Ursula von der Leyen, Friedrich Merz, Pedro Sánchez.

Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

Leave a Reply