O Ministério Público Federal (MPF) no Amapá solicitou explicações à Petrobras e ao Ibama sobre o vazamento de fluido na Foz do Amazonas, que provocou a paralisação da perfuração no último domingo (4). O pedido de informações foi enviado na terça-feira (6) com prazo de 48 horas para resposta, no âmbito do inquérito civil aberto em 2018 para investigar o licenciamento ambiental da operação.
A Petrobras identificou a perda de fluido em duas linhas auxiliares que conectam o navio-sonda ao poço Morpho, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá. Imediatamente, o vazamento foi contido, as linhas isoladas e a perfuração suspensa para avaliação e reparo das tubulações.
O fluido liberado, conhecido como “lama” de perfuração, é à base de água, com aditivos de baixa toxicidade e biodegradável. Ele é utilizado para resfriar a broca, remover fragmentos de rocha e controlar a pressão do poço, segundo informou a Petrobras, que afirmou não haver riscos à segurança da operação ou ao meio ambiente.
O Ibama confirmou o recebimento da comunicação do incidente por meio do Sistema Nacional de Emergências Ambientais (Siema) e informou que acompanha o caso. De acordo com o instituto, a descarga foi paralisada após as operações serem interrompidas e as linhas afetadas isoladas na superfície, mantendo a válvula de fundo fechada.
Rodrigo Agostinho, presidente do Ibama, disse que o vazamento foi causado por despressurização e envolveu fluido hidráulico biodegradável, sem presença de petróleo no local. Segundo ele, a sonda ainda não atingiu o petróleo, o que está previsto para ocorrer apenas em fevereiro.
A perfuração na Foz do Amazonas teve início logo após a autorização do Ibama em outubro de 2025 para pesquisa exploratória em águas profundas na Margem Equatorial, região que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte. A atividade tem previsão de duração de cinco meses e visa coletar dados geológicos para avaliar a presença de petróleo e gás em escala comercial.
A área de exploração está localizada a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá e 500 km da foz do Rio Amazonas, em mar aberto, no bloco FZA-M-059. A região abrange uma área de aproximadamente 268 mil km² na plataforma continental, talude e águas profundas, considerada pelo Ministério de Minas e Energia como uma potencial nova fronteira do setor petrolífero no país.
O governo estima que a Margem Equatorial possui reservas capazes de produzir até 1,1 milhão de barris de petróleo por dia, superando a produção atual dos campos Tupi e Búzios na Bacia de Santos. A expectativa é de que a região possa conter até 10 bilhões de barris recuperáveis, contribuindo para a manutenção da autossuficiência energética do Brasil.
O MPF atua para garantir o cumprimento das normas ambientais no processo de licenciamento, inserido em um inquérito civil iniciado em 2018. A procuradoria exige transparência e rigor na investigação das causas do vazamento e das medidas adotadas para prevenir danos ambientais.
A Petrobras ressaltou que todas as medidas de controle foram tomadas imediatamente e que não houve impacto ambiental nem riscos à população. O Ibama segue com a apuração das causas e monitora o plano de emergência implementado pela petroleira para que os reparos sejam concluídos e a operação retomada em segurança nos próximos dias.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

