Economia

A França suspendeu temporariamente a importação de certos

A França suspendeu temporariamente a importação de certos
  • Publishedjaneiro 7, 2026

A França suspendeu temporariamente a importação de certos produtos agrícolas provenientes principalmente da América do Sul e tratados com substâncias proibidas na União Europeia, em resposta às reivindicações do setor agrícola contra o acordo comercial UE-Mercosul. A medida, anunciada nesta quarta-feira (7), foi tomada antes da assinatura prevista do tratado, que deve ocorrer em 12 de janeiro, em Bruxelas, para proteger os agricultores franceses dos impactos esperados da abertura do mercado.

A suspensão, válida por um ano a partir da publicação no Diário Oficial, restringe a entrada de produtos como abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas e batatas que contenham cinco fungicidas e herbicidas vetados na UE: mancozeb, tiofanato-metílico, carbendazim, glufosinato e benomil. O Ministério da Agricultura francês afirmou que a decisão não visa um país específico, mas qualquer origem que utilize essas substâncias nos processos de produção.

A Comissão Europeia terá dez dias para analisar a medida, podendo permitir a manutenção da suspensão, ampliá-la para todo o bloco ou rejeitá-la. Enquanto isso, as importações afetadas já ficam proibidas, e as empresas do setor alimentício deverão intensificar os controles para assegurar que os produtos importados estejam livres dos agentes químicos proibidos.

O contexto da decisão está ligado à crescente insatisfação dos agricultores franceses, que realizaram protestos bloqueando estradas com tratores para reivindicar maiores garantias diante dos possíveis efeitos do acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Agricultores temem a concorrência de produtos agropecuários originários da Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, considerados mais competitivos devido a regras ambientais e fitossanitárias menos rigorosas.

Além desse temor, o setor agrícola francês enfrenta descontentamento em relação à política oficial sobre a dermatose nodular bovina, doença que obriga o abate do rebanho infectado, sem a adoção de um programa nacional de vacinação, o que agrava a insegurança dos produtores.

Politicamente, o governo do presidente Emmanuel Macron passa por pressão tanto do setor rural quanto de opositores internos que alertam para risco de censura caso ele aprovar o acordo UE-Mercosul. O ministro para a Europa, Benjamin Haddad, reiterou a posição do governo de que o esboço do tratado ainda é inaceitável, apesar das melhorias negociadas.

Para amenizar as preocupações, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou um financiamento adicional de cerca de 45 bilhões de euros para agricultores no âmbito da Política Agrícola Comum (PAC) 2028-2034. A iniciativa busca compensar os impactos da entrada maior de carne, arroz, mel e soja sul-americanos no mercado europeu, em troca do acesso ampliado de veículos e máquinas produzidos na Europa aos países do Mercosul.

Em meio ao clima de incerteza, produtores como o pecuarista Pierre Solana, de 37 anos, destacam a necessidade de encontrar soluções para preservar a agricultura francesa. Ele declarou que o setor está determinado a continuar a mobilização até obter respostas das autoridades.

A reunião dos ministros da Agricultura da União Europeia, agendada para a tarde desta quarta-feira em Bruxelas, deve abordar especificamente as preocupações provocadas pelo acordo e discutir as medidas adotadas para proteger o setor agrícola europeu.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

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Caio Marcio

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