Um investidor anônimo lucrou cerca de R$ 2,22

Um investidor anônimo lucrou cerca de R$ 2,22 milhões ao prever a derrubada do presidente venezuelano Nicolás Maduro em uma plataforma de mercado de previsão na última semana nos Estados Unidos. A operação financeira ocorreu na Polymarket, onde o investidor adquiriu contratos ligados à destituição de Maduro antes da divulgação de uma ação militar americana que resultou na prisão do líder venezuelano.
O lucro se deu porque o investidor comprou os contratos quando estavam com preço baixo, antes da notícia se tornar pública. Segundo dados da própria plataforma, o ganho estimado foi de US$ 410 mil. Antes do evento, o conjunto das apostas valia cerca de US$ 34 mil, e o valor subiu rapidamente após a confirmação da operação militar americana.
A Polymarket permite que usuários façam apostas sobre acontecimentos reais, com contratos que pagam US$ 1 caso o evento ocorra. O investidor criou a conta no mês passado e iniciou as apostas no dia 27 de dezembro, adquirindo contratos que lucrariam se os EUA realizassem uma ação militar na Venezuela até o final de janeiro.
Após o fim de semana em que a prisão de Maduro foi confirmada, os mercados financeiros reagiram com alta nos principais índices de ações dos Estados Unidos. Os preços do petróleo também subiram, impactando positivamente as ações de empresas do setor energético. Além disso, os títulos da dívida venezuelana, que vinham sendo negociados a preços baixos devido ao risco de calote, apresentaram valorização significativa.
A reestruturação da dívida da Venezuela voltou a ser considerada pelos investidores diante da mudança no cenário político. Títulos emitidos pelo governo venezuelano e pela empresa estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) tiveram alta de até 30% em alguns casos.
As autoridades dos Estados Unidos devem investigar a operação financeira no mercado de previsão. Parlamentares americanos discutem medidas para coibir o uso de informações privilegiadas em apostas relacionadas a eventos políticos e econômicos. O deputado democrata Ritchie Torres divulgou que planeja apresentar um projeto de lei para proibir que autoridades eleitas, parlamentares e funcionários federais participem dessas apostas.
Esse tipo de mercado, como o da Polymarket, opera com contratos simples de “sim” ou “não”. Usuários apostam em eventos variados, como esportes, política e economia. Se o evento ocorre, o comprador do contrato recebe US$ 1. Caso contrário, perde o valor investido.
A Polymarket foi autorizada pela Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA (CFTC) a retomar suas operações no país em setembro, após a aquisição da QCEX, uma bolsa de derivativos licenciada pela CFTC, por US$ 112 milhões. A CFTC não informou se abriu investigação sobre os contratos ligados à prisão de Maduro.
Há questionamentos sobre o possível uso de informação privilegiada na Polymarket, principalmente porque americanos, que oficialmente não podem acessar a plataforma principal, podem utilizar redes privadas virtuais (VPNs) para participar do mercado. A empresa não se manifestou oficialmente sobre o caso até a publicação desta reportagem.
A prisão de Nicolás Maduro foi confirmada após uma operação militar dos Estados Unidos, um evento que gerou mudanças imediatas nos mercados financeiros e suscita debates sobre a regulamentação dos mercados de previsão e o uso de informações sensíveis nesse contexto.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com