A estatal venezuelana PDVSA iniciou a redução da

A estatal venezuelana PDVSA iniciou a redução da produção de petróleo devido à falta de capacidade de armazenamento, provocada por um bloqueio dos Estados Unidos às exportações do país. A medida foi anunciada em meio a uma crise política que envolve a captura do presidente Nicolás Maduro por forças norte-americanas e sanções crescentes contra o setor petrolífero venezuelano.
Os Estados Unidos impuseram um embargo a navios-tanque venezuelanos e apreenderam carregamentos de petróleo no último mês, bloqueando as exportações, principal fonte de receita da Venezuela, membro da Opep. A Chevron, que operava sob licença norte-americana, também teve suas operações suspensas desde quinta-feira (2).
Com a incapacidade de escoar a produção, a PDVSA comunicou o fechamento de campos petrolíferos e a paralisação de poços, especialmente na joint venture Petrolera Sinovensa, em parceria com a chinesa CNPC, além da Petropiar, da Chevron, e outras operações associadas. A empresa enfrenta falta de diluentes essenciais para transportar o petróleo extrapesado produzido no país.
Trabalhadores da Sinovensa foram instruídos a desligar até dez conjuntos de poços temporariamente, com possibilidade de retorno rápido, conforme a situação do armazenamento e do fornecimento de diluentes. A sinovensa, que tradicionalmente destina parte da produção à China como pagamento de dívidas, viu dois superpetroleiros chineses suspenderem a viagem à Venezuela no final de dezembro.
Na Petromonagas, outra joint venture, a redução da produção começou no fim da semana passada, aguardando a retomada na oferta de diluentes pelos oleodutos. A Chevron mantém alguma produção, sustentada por sua capacidade de armazenamento limitada, mas seus navios-tanque não saem das águas venezuelanas desde quinta-feira, indicando risco de cortes.
A Venezuela possui a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com cerca de 303 bilhões de barris, segundo dados da Energy Information Administration (EIA) dos Estados Unidos. Esse volume supera grandes produtores como a Arábia Saudita e o Irã. No entanto, grande parte é petróleo extrapesado, exigindo investimentos e tecnologia avançada para sua extração e refino.
Apesar do vasto potencial, a produção venezuelana caiu drasticamente ao longo das últimas cinco décadas, de 3,7 milhões de barris diários em 1970 para cerca de 665 mil barris em 2021, segundo o Instituto de Energia (EI). Em 2023, houve leve recuperação, com produção estimada em 1 milhão de barris por dia, menos de 1% da produção mundial.
A economia venezuelana é fortemente dependente do petróleo, que representa mais de 90% das exportações desde a década de 1990. Em 1976, a indústria foi nacionalizada com a criação da PDVSA, que desde então monopoliza o setor. As receitas do petróleo financiaram programas sociais durante o governo de Hugo Chávez, mas a queda da produção e as sanções internacionais agravaram a crise econômica no país.
A redução das receitas petrolíferas está ligada à hiperinflação da Venezuela. Em 2019, o índice oficial apontou um aumento de preços de 344.510%, elevando drasticamente o custo de vida. O bloqueio dos Estados Unidos e a consequente diminuição da produção reforçam os desafios enfrentados pelo governo venezuelano para recuperar seu setor petrolífero e estabilizar a economia.
Palavras-chave relacionadas:
Venezuela, PDVSA, produção de petróleo, embargo dos EUA, crise política, sanções internacionais, petróleo extrapesado, reservas de petróleo, Chevron, Opep, Nicolás Maduro, bloqueio petrolífero, produção interrompida.
Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com