Explosões foram registradas em Caracas neste sábado (3)

Explosões foram registradas em Caracas neste sábado (3), após operações militares dos Estados Unidos na Venezuela, que incluíram a captura do presidente Nicolás Maduro e sua esposa. A ofensiva americana, justificada pelo combate ao narcotráfico e segurança regional, revela interesses econômicos e geopolíticos que vão além da retórica oficial.
Os Estados Unidos ampliaram sanções e bloquearam navios petroleiros venezuelanos para aumentar a pressão sobre Caracas. Washington também confiscou embarcações e aplicou medidas restritivas a familiares de Maduro. O governo venezuelano classificou as ações como golpe e ameaça à soberania nacional, acusando os EUA de usar o combate às drogas como pretexto para tentar derrubar Maduro.
Especialistas apontam que o interesse dos EUA está ligado principalmente ao petróleo e à influência geopolítica, especialmente na relação da Venezuela com a China. O país sul-americano possui a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com cerca de 303 bilhões de barris, segundo dados da Energy Information Administration (EIA).
Apesar do potencial, a extração tem enfrentado dificuldades devido à infraestrutura precária e às sanções internacionais. O petróleo pesado venezuelano é adequado para as refinarias americanas, especialmente as localizadas na Costa do Golfo. Publicações como o New York Times indicam que Washington negocia secretamente com Caracas visando o controle e a exploração dessa commodity.
Para o professor Marcos Sorrilha, da Unesp, a estratégia de Trump inclui reduzir o preço dos combustíveis nos EUA e enfraquecer a principal fonte de receita do governo Maduro. Essa abordagem atinge simultaneamente a economia americana e o setor petrolífero venezuelano, fundamental para a sustentação do regime.
Além do petróleo, a proximidade da Venezuela com a China é um fator central na ofensiva. Desde 2019, a China assumiu papel crucial nas exportações venezuelanas, incluindo acordos que envolvem empréstimos garantidos por petróleo. Em 2023, 68% do petróleo exportado pela Venezuela teve a China como destino, segundo a EIA.
A especialista Carolina Moehlecke, da FGV, destaca que a relação com a China abrange setores estratégicos como energia e mineração. O avanço chinês na região preocupa os EUA, que buscam conter essa influência. O economista André Galhardo afirma que Washington tenta fortalecer sua posição na América Latina diante da presença crescente da potência asiática.
Esse contexto explica também a mudança de postura de Donald Trump em relação a países como Brasil e Argentina, com foco na ampliação da influência econômica, sobretudo no setor petrolífero. O Brasil é o sétimo maior produtor mundial, enquanto a Argentina tem identificado reservas importantes em Vaca Muerta.
Paralelamente, a ofensiva dos EUA visa abrir o mercado venezuelano para empresas americanas. O professor Sorrilha lembra diálogos entre líderes da oposição venezuelana e representantes americanos que buscam a entrada de companhias dos EUA em setores industriais e de commodities no país.
No âmbito da política externa, a estratégia dos EUA resgata a Doutrina Monroe, formulada em 1823, que considera a América Latina uma área de interesse prioritário para a segurança americana. A nova política, anunciada recentemente pela Casa Branca, foca no fortalecimento da presença militar no hemisfério e na contenção da influência chinesa.
Carolina Moehlecke comenta que a retomada da Doutrina Monroe tem um tom mais ofensivo, visando garantir que recursos estratégicos da região, como os da Venezuela, não sejam acessados por potências rivais. Marcos Sorrilha acrescenta que a intenção é reafirmar a hegemonia continental dos EUA, afastando concorrentes como China e ampliando seus interesses econômicos.
O paralelo histórico com políticas do final do século XIX e início do século XX, que utilizavam inclusive o uso da força para garantir interesses, demonstra a continuidade de uma estratégia de domínio regional. O cerco aos recursos naturais e o posicionamento geopolítico permanecem como pilares da atuação americana na Venezuela e na América Latina.
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Fonte: g1.globo.com
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