O álbum “Alucinação”, de Belchior, completa 50 anos

O álbum “Alucinação”, de Belchior, completa 50 anos em 2026 como um marco da música brasileira ao retratar angústias que permanecem atuais. Lançado em junho de 1976 pela gravadora Philips, o disco foi produzido por Marco Mazzola e traz uma visão de um migrante nordestino enfrentando desafios sociais e pessoais no eixo Rio-São Paulo.
Antonio Carlos Belchior, nascido em Sobral (CE) em 1946, compôs sozinho as dez faixas do álbum. O trabalho expressa o descontentamento de uma geração que viveu a ressaca moral dos anos 1970, especialmente depois do fim idealizado da utopia hippie e do sonho de mudança social representado por ícones como John Lennon. O álbum expõe esse desencanto, como ilustram as letras de “Como nossos pais”, que refletem a repetição de padrões sociais mesmo após esforços para transformá-los.
A canção “Como nossos pais” ganhou destaque ao ser interpretada por Elis Regina em seu show “Falso Brilhante”, lançado em 1975. Foi durante a seleção do repertório deste espetáculo que o produtor musical Marco Mazzola conheceu as composições de Belchior, o que levou à contratação do cantor pela Philips. Até então, Belchior havia lançado apenas um álbum em 1974 pela Continental, que não obteve sucesso comercial.
“Alucinação” reúne músicas que mesclam elementos do rock, da música popular brasileira e do folk, com arranjos do pianista José Carlos Bertrami. As letras de Belchior possuem uma linguagem forte e crítica, comparável em alguns aspectos à obra de Bob Dylan, com foco nas dificuldades sociais e políticas da época.
O álbum aborda temas como a migração nordestina para o Sudeste e as dificuldades enfrentadas por esse público, representadas em “Fotografia 3×4”. A canção-título retrata o cotidiano urbano e as tensões sociais presentes nas grandes cidades brasileiras. O disco funciona como um manifesto contra as normas sociais, expressando insubordinação e questionamento diante do regime militar vigente, marcado pela censura.
Apesar do contexto repressivo, o álbum mantém um tom de resistência e cautela, como mostram faixas como “Não leve flores” e “Sujeito de sorte”, que abordam as dificuldades impostas pelo sistema e a luta pela sobrevivência. A música “Apenas um rapaz latino-americano” expressa a identidade de Belchior como um artista vindo do interior, sem privilégios, e se tornou o principal sucesso radiofônico do álbum.
“Antes do fim”, que encerra o disco, reafirma a sensação de perigo e incerteza da época, refletindo uma visão crítica que continua ressoando nas questões sociais dos anos 2020. O álbum “Alucinação” segue relevante por capturar, em suas letras e sonoridade, a complexidade de um momento histórico e suas reverberações no presente.
Produzido em um período de repressão política, “Alucinação” resistiu ao teste do tempo e se mantém como um símbolo da música brasileira engajada, que traduz os sentimentos e dilemas de várias gerações. Ao completar meio século, o disco é reconhecido como obra fundamental para entender a cultura, a política e a música do Brasil dos anos 1970 e suas relações com os desafios contemporâneos.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com