O presidente da Volkswagen no Brasil, Ciro Possobom

O presidente da Volkswagen no Brasil, Ciro Possobom, afirmou que o alto custo tem freado a eletrificação dos veículos da marca no país. Em entrevista ao g1, ele explicou que a adoção de tecnologias eletrificadas eleva significativamente o preço dos carros, dificultando a aceitação pelo consumidor brasileiro.
Possobom exemplificou com o SUV Tera, que tem preço médio de R$ 120 mil e ainda não é eletrificado. Segundo ele, um híbrido leve adicionaria cerca de R$ 10 mil ao valor, enquanto um híbrido completo pode aumentar o preço em até R$ 40 mil. “Um cliente de R$ 120 mil não é o mesmo de R$ 160 mil”, destacou, ressaltando a necessidade de cautela para não desposicionar o produto no mercado nacional.
A Volkswagen ainda não oferece modelos híbridos ou elétricos destinados à venda direta no Brasil. Atualmente, a marca disponibiliza dois veículos 100% elétricos — ID.4 e ID.Buzz — apenas por meio de assinatura.
Além disso, Possobom mencionou o lançamento de modelos eletrificados a partir de 2026. Ele garantiu que todos os carros produzidos pela Volkswagen no país, a partir desse ano, terão pelo menos uma versão com algum tipo de eletrificação. Para isso, a empresa contratou um empréstimo de R$ 2,3 bilhões junto ao BNDES para acelerar a transição.
O presidente justificou a escolha pelos híbridos flexível pelo perfil do uso do automóvel no Brasil, onde os motoristas percorrem distâncias em torno de 13 mil a 15 mil km anuais e utilizam o veículo para atividades familiares e viagens. Segundo ele, soluções que vão do híbrido leve (mHEV) ao híbrido plug-in (PHEV), incluindo carros elétricos, podem atender às demandas locais.
Possobom também afirmou que a Volkswagen prefere produzir veículos no Brasil com tecnologias adaptadas ao mercado nacional, em vez de importar carros elétricos da China, apesar de reconhecer essa possibilidade. Ele justificou a decisão pelo comportamento do consumidor brasileiro, que costuma manter os carros por vários anos e valoriza o custo residual.
A empresa tem registrado crescimento na América Latina, impulsionado pelo lançamento do SUV Tera, lançado em meados de 2024 e que já somou 60 mil unidades vendidas entre mercado interno e exportação. O modelo é produzido na fábrica de Taubaté (SP) e divide a linha de montagem com o Polo.
O aumento na participação de SUVs no mercado nacional também foi destacado. Desde 2020, esses veículos representam 54% dos emplacamentos, enquanto os hatches somam 24,6%. A Volkswagen oferece seis SUVs, incluindo o Tera, e dois hatches, Polo e Golf GTI.
Sobre o mercado automotivo em 2025, a Fenabrave projeta 2,55 milhões de veículos emplacados, um aumento de 3% em relação a 2024. Possobom ressaltou que juros mais baixos, maior produção local e flexibilização da legislação ambiental poderiam ter impulsionado ainda mais o setor. Hoje, a taxa Selic está em 15%, mas é prevista queda para cerca de 12% em 2026.
O executivo também explicou que a legislação brasileira para controle de emissão de poluentes impõe custos elevados às montadoras, superiores aos de mercados como Europa e Estados Unidos. O Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (promulgado no chamado PL 8) exige redução de emissões e tecnologias para diminuir a liberação de vapores durante o abastecimento.
Ao comentar sobre a ausência da Volkswagen no Salão do Automóvel de São Paulo em 2024, Possobom disse que a decisão considerou o formato do evento e a ausência de várias marcas tradicionais. Ele afirmou que a empresa pode avaliar a volta ao salão em 2027, desde que o evento tenha maior adesão e inovação.
A Volkswagen caminha para ampliar sua linha de veículos eletrificados no Brasil, mas ainda enfrenta desafios relacionados ao custo, perfil dos consumidores e exigências legais. A estratégia para os próximos anos inclui o desenvolvimento local de modelos híbridos e eletrificados que possam consolidar a presença da marca no mercado nacional.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com