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O governo dos Estados Unidos planeja analisar publicações

O governo dos Estados Unidos planeja analisar publicações
  • Publisheddezembro 22, 2025

O governo dos Estados Unidos planeja analisar publicações em redes sociais feitas nos últimos cinco anos por visitantes de dezenas de países que entram no país pelo Programa de Isenção de Visto (Visa Waiver Program), vigente para estadias de até 90 dias, com o objetivo de reforçar a segurança fronteiriça. A proposta entra em vigor em 8 de fevereiro de 2026, após período para envio de comentários públicos.

Solicitantes do Sistema Eletrônico para Autorização de Viagem (ESTA) deverão informar todos os endereços de e-mail usados na última década, além de fornecer dados que permitam o monitoramento do histórico digital. A medida reflete um aumento de rigor na fiscalização de entrada nos EUA, na qual o rastro digital do visitante pode ser usado para barrar ou deportar quem não atender a critérios das autoridades.

O caso de um turista norueguês, que alegou ter sido impedido de entrar nos EUA por conta de um meme do vice-presidente americano em seu celular, exemplifica esse novo cenário. A alfândega americana (CBP) atribuiu a recusa à “uso admitido de drogas” pelo viajante e destaca que a inspeção de dispositivos eletrônicos é prática comum para avaliar as intenções do visitante.

Desde o início de 2025, alguns vistos de não imigrantes, como H1-B, H-4, F, M e J, exigem que os solicitantes disponibilizem suas contas de redes sociais com configurações públicas para facilitar a verificação. Turistas na categoria B-2 não são incluídos nessa exigência. As categorias abrangem trabalhadores especializados, estudantes, visitantes de intercâmbio, professores e seus dependentes.

Especialistas alertam que, dentro do Programa de Isenção de Visto, os visitantes têm poucos direitos legais para contestar decisões da CBP na fronteira, o que pode resultar na negação da entrada caso não coopere com exigências como a entrega de dispositivos eletrônicos para verificação. Recomenda-se cautela no conteúdo postado online, especialmente relacionado a temas políticos ou cidadãos dos EUA.

A fiscalização digital não é exclusividade dos Estados Unidos. Países como Nova Zelândia e Emirados Árabes Unidos intensificaram o monitoramento de conteúdos digitais de viajantes em suas fronteiras, aplicando multas ou detenção em casos de recusa ou publicações consideradas ofensivas. O volume crescente de conteúdo gerado pelos turistas na internet aumenta a exposição a riscos legais e culturais.

Além do aspecto legal, turistas enfrentam dificuldades por desconhecer costumes locais ao publicar conteúdos nas redes. Publicações e imagens que desrespeitam tradições culturais podem gerar reações negativas e até deportação, como ocorreu com uma influenciadora na Indonésia, alvos de protestos após fotos consideradas ofensivas.

Para mitigar conflitos, governos têm criado orientações sobre etiqueta e normas culturais em suas páginas oficiais para informar visitantes. O conhecimento das especificidades culturais é fundamental para que o conteúdo compartilhado nas redes sociais não seja mal interpretado, evitando ofensas ou constrangimentos ao viajante.

Especialistas em comunicação destacam que diferenças entre culturas de alto e baixo contexto podem tornar a interpretação das postagens complexa, uma vez que mensagens implícitas podem ser mal compreendidas fora do seu âmbito original. A atenção às nuances locais é recomendada para reduzir riscos de ofensas involuntárias.

Embora não se defenda a autocensura total, é aconselhável publicar com consciência, focando em qualidade e respeito aos locais visitados. Observar comportamento, vestimenta e costumes ajuda a integrar-se ao ambiente e a evitar tratamento reducionista dos moradores locais, promovendo uma experiência turística mais rica e segura.

O avanço da coleta de dados digitais e o uso crescente de inteligência artificial indicam que esse tipo de fiscalização tende a se intensificar globalmente, exigindo que os viajantes estejam cientes das novas regras e restrições para evitar prejuízos durante suas viagens.

Palavras-chave relacionadas: fiscalização fronteiriça, redes sociais, viajantes, Estados Unidos, Programa de Isenção de Visto, ESTA, segurança nacional, inspeção digital, vistos americanos, vigilância digital, costumes culturais, etiqueta em viagens, controle migratório, tecnologia na fronteira, privacidade online.

Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

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