Economia

A assinatura do acordo de livre comércio entre

A assinatura do acordo de livre comércio entre
  • Publisheddezembro 20, 2025

A assinatura do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, prevista para 20 de abril de 2024, foi adiada devido à pressão da Itália e da França para incluir salvaguardas que protejam seus setores agrícolas. O processo de formalização foi postergado para janeiro de 2025, diante das divergências internas no bloco europeu.

A França, principal resistência interna no Conselho Europeu, condiciona o apoio à inclusão de medidas que atendam às demandas de seus agricultores. O presidente Emmanuel Macron declarou que o país não apoiará a assinatura enquanto não houver garantias contra a concorrência de produtos latino-americanos, que apresentam custos e padrões ambientais diferentes.

A Itália, aliada da França nessa questão, mantém sua posição em aberto. A primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou que a assinatura dependerá do atendimento às preocupações dos agricultores italianos, mas mostrou-se otimista de que o impasse será superado em breve. Em contato com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, Meloni reconheceu a pressão doméstica sobre o governo italiano, mas indicou a possibilidade de apoio ao acordo.

Em contrapartida, Alemanha, Espanha e países nórdicos defendem o avanço do tratado, argumentando que ele pode ampliar o acesso a novos mercados e insumos, além de reduzir a dependência comercial da China e atenuar os efeitos de tarifas impostas pelos Estados Unidos. O chanceler alemão Friedrich Merz ressaltou a necessidade de decisões rápidas para manter a credibilidade da Europa na política comercial global.

O acordo, que vem sendo negociado há quase 25 anos, não se restringe ao setor agrícola. Ele inclui temas como indústria, serviços, investimentos e propriedade intelectual, justificando o interesse diverso dentro da União Europeia. A formalização depende da aprovação pelo Conselho Europeu, que exige maioria qualificada de pelo menos 15 dos 27 países, correspondendo a 65% da população do bloco.

Com a postergação, a expectativa de que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viajasse ao Brasil ainda em abril para ratificar o acordo foi cancelada. A negociação seguirá em pauta até o início de 2025, quando o Conselho Europeu deverá rever sua posição.

Do lado brasileiro, o governo mantém otimismo frente às negociações. O presidente Lula declarou que a impasse com a Itália pode ser resolvido em até um mês, caso haja paciência e diálogo. O adiamento evidencia as dificuldades políticas enfrentadas pelo tratado, que combina interesses diversos de países e setores econômicos.

O resultado do processo no Conselho Europeu será determinante para o futuro do acordo, já que o Legislativo da União Europeia não tem papel decisivo na ratificação. A decisão também terá impacto nas relações comerciais entre Europa e América do Sul, podendo modificar o cenário do comércio internacional nas próximas décadas.

Palavras-chave sugeridas: Mercosul, União Europeia, acordo comercial, adiamento, França, Itália, agricultura, comércio internacional, Conselho Europeu, Lula da Silva.

Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

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Caio Marcio

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