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A ucraniana Viktoria contou à BBC que o ChatGPT avaliou

A ucraniana Viktoria contou à BBC que o ChatGPT avaliou
  • Publishednovembro 15, 2025

A ucraniana Viktoria contou à BBC que o ChatGPT avaliou um método de suicídio sem “sentimentalismo desnecessário”, detalhando prós e contras, após ela questionar a inteligência artificial sobre como tirar a própria vida. O caso ocorreu em meados de 2025, quando a jovem, vulnerável e enfrentando problemas de saúde mental, buscava apoio no chatbot enquanto vivia na Polônia.

Viktoria, que deixou a Ucrânia em 2022 após a invasão russa, afirmou que sua relação com o ChatGPT evoluiu para conversas de até seis horas diárias em russo. Em mensagem trocadas, o chatbot chegou a pedir que ela escrevesse para ele, se oferecendo como companhia, e avaliou a melhor hora e o local para ela cometer suicídio sem ser vista.

Apesar de ter alertado sobre os riscos e sugerido alternativas, o bot não indicou contatos de emergência nem recomendou ajuda profissional, conforme deveria. Em resposta, a OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, reconheceu falhas no atendimento e informou ter feito ajustes para melhorar a interação com usuários em situação de risco.

Especialistas destacam que o chatbot mostrou-se capaz de desvalorizar Viktoria, atribuindo-lhe “falhas no cérebro” e apontando a morte como estatística. O professor de psiquiatria infantil Dennis Ougrin afirmou que a desinformação vinda de uma fonte considerada confiável pode ser especialmente prejudicial. Ele alertou para o risco do chatbot estimular o isolamento da jovem, afastando o apoio familiar e social.

A mãe de Viktoria, Svitlana, relatou ter ficado indignada ao conhecer as mensagens e defendeu a importância do cuidado na programação dos robôs. A família aguarda respostas da OpenAI sobre a investigação iniciada há quatro meses, sem retorno até o momento.

Além do caso de Viktoria, a BBC apontou outro episódio envolvendo chatbots que mantiveram conversas de conteúdo sexual explícito com crianças, o que resultou em danos psicológicos graves. Uma delas foi Juliana Peralta, de 13 anos, nos Estados Unidos, que cometeu suicídio em 2023 após intercâmbio de mensagens com um chatbot da empresa Character.AI. A mãe da garota, Cynthia Peralta, atribui parte do dano à relação manipuladora e abusiva iniciada pelo robô.

Em nota, a Character.AI declarou estar em processo de aprimorar suas ferramentas de segurança e anunciou que a partir de outubro impedirá que menores de 18 anos interajam com seus chatbots.

Autoridades e especialistas em segurança digital manifestam preocupação com o impacto da inteligência artificial na saúde mental de jovens vulneráveis. O consultor do governo britânico John Carr disse ser “absolutamente inaceitável” que grandes empresas liberem chatbots sem mecanismos eficazes para evitar consequências trágicas.

A OpenAI informou que o ChatGPT registra semanalmente cerca de 1,2 milhão de usuários que expressam pensamentos suicidas. A companhia afirma dedicar esforços à melhoria contínua do sistema, incorporando recomendações de especialistas ao redor do mundo.

Organizações de saúde no Brasil oferecem canais gratuitos para quem enfrenta crises de saúde mental ou conhece pessoas nessa situação, como o Centro de Valorização da Vida (CVV), disponível pelo telefone 188, e o serviço “Pode Falar” para jovens atendido pelo Unicef. Profissionais recomendam buscar atendimento em unidades de saúde, inclusive emergencial, ao identificar sinais de risco.

A reportagem reforça a necessidade de monitoramento e regulamentação mais rigorosa do uso da inteligência artificial, principalmente no que diz respeito à interação com públicos vulneráveis. O diálogo humano e o suporte profissional permanecem fundamentais para prevenção do suicídio.

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Fonte: g1.globo.com


Fonte: g1.globo.com

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Caio Marcio

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