Cantoras brasileiras passaram a lançar sucessos que abordam a paixão por homens considerados feios, misturando humor e crítica social. A tendência ganhou força entre 2023 e 2025, com músicas que discutem a beleza sob uma perspectiva alternativa e desafiam padrões estéticos tradicionais.
No álbum “Rock Doido” (2025), Gaby Amarantos canta em “Bonito Feio” sobre um homem com aparência fora dos padrões de beleza, mas com quem mantém uma relação afetiva marcada por carinho e companheirismo. A letra contrapõe a feiura física à sensibilidade emocional do parceiro. Outro exemplo é “Nike e Shortinho”, de Marvvila, que menciona um homem feio de forma crítica e irônica, sinalizando as tensões afetivas envolvidas.
A funkeira Bibi Babydoll e MC India também entraram nessa onda com letras que ressaltam a feiura masculina em contextos eróticos. Em 2024, Bibi lançou uma faixa explicitamente sexual que valoriza a performance em vez da aparência. MC India apresentou o funk “Ele é feio pra KRL” (2025), cujo refrão combina versos de desprezo e desejo.
Já a rapper Ebony, em seu sucesso “Pensamentos Intrusivos” (2023), expressa preferência por homens estranhos e fora do padrão estético, destacando a energia e personalidade acima da aparência física. A letra também desafia os estereótipos tradicionais de masculinidade ao valorizar características não convencionais.
Essa tendência não surgiu recentemente no cenário musical brasileiro, mas a participação feminina na exploração do tema sobre a feiura masculina ganhou maior visibilidade a partir de 2023. Historicamente, artistas homens abordaram o assunto em suas composições, como Seu Jorge em “Amiga da Minha Mulher” (2011) e Falcão em “As Bonitas que me Perdoem, mas a Feiura é de Lascar” (1994). Contudo, as mulheres passam a tomar a dianteira nessas narrativas, ampliando o debate.
As letras contemporâneas evitam descrições físicas detalhadas e se concentram em elementos simbólicos e humorísticos. Elas defendem a ideia de que o amor e o desejo não se baseiam apenas na aparência, mas em aspectos como a conexão emocional, a sexualidade e a atenção dedicada. Ao mesmo tempo, criticam a masculinidade egocentrada e valorizam homens que, apesar da aparência, se mostram mais presentes e afetuosos.
Em algumas músicas, a figura do “homem feio” assume um papel de contraponto aos parceiros anteriores, servindo para reafirmar a autoestima das mulheres e manifestar insatisfação com relacionamentos passados. Dessa forma, a temática ultrapassa o lado divertido e ganha camada crítica e afetiva.
Essa nova produção musical reflete uma mudança nos padrões sociais e culturais, que passam a aceitar uma representação mais diversa da masculinidade e da beleza. O sucesso das cantoras indica também uma maior abertura do público para abordagens que questionam os estereótipos tradicionais.
Assim, o tema do homem feio se consolida no cenário nacional, construindo espaço para debates sobre identidade, gênero e estética no universo da música popular brasileira.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

