As autoridades chinesas ordenaram a remoção dos aplicativos de namoro LGBTQIA+ Blued e Finka das lojas App Store e Google Play na China por determinação da Administração do Ciberespaço do país. A retirada ocorreu no último fim de semana e faz parte da regulação da internet na China, que intensificou a repressão à comunidade LGBTQIA+ nos últimos anos.
O Blued e o Finka são duas das plataformas de relacionamento LGBTQIA+ mais populares da China e pertencem ao BlueCity Group, sediado em Hong Kong. Após a ordem das autoridades, a Apple confirmou a remoção dos aplicativos apenas das lojas chinesas, mantendo uma versão limitada do Blued disponível na App Store local. Usuários que já haviam baixado os apps antes da remoção continuam a ter acesso ao serviço.
A Administração do Ciberespaço da China é responsável por regular o conteúdo e a atividade online no país. Em setembro de 2023, o órgão lançou uma campanha para coibir o que definiu como plataformas que promovem “uma visão negativa da vida”. Em 2022, a mesma instituição tinha ordenado a remoção do aplicativo de encontros LGBTQIA+ Grindr das lojas digitais chinesas.
O casamento homoafetivo é ilegal na China, e ativistas apontam aumento da censura e repressão à comunidade LGBTQIA+ desde o início da presidência de Xi Jinping. Eventos, publicações e plataformas voltadas para esse público frequentemente enfrentam restrições e fiscalizações.
Zhao Hu, advogado conhecido pela defesa dos direitos LGBTQIA+, afirmou que a ordem de remoção dos aplicativos foi “inesperada” e ocorreu “sem qualquer explicação” por parte da Administração do Ciberespaço. Ele ressaltou que esses aplicativos deveriam ser encarados como iniciativas socialmente benéficas.
A Apple declarou que respeita as leis dos países onde atua ao justificar a remoção dos aplicativos do mercado chinês. A companhia confirmou ter cumprido a ordem oficial e destacou que a ação foi limitada às lojas na China, sem afetar o acesso global às plataformas.
Essa medida faz parte de uma série de ações governamentais voltadas ao controle da internet e do conteúdo disponível aos cidadãos chineses, que abrangem desde censura a temas políticos até restrições culturais e sociais. A remoção dos aplicativos reforça o ambiente de controle estatal sobre a expressão e organização da comunidade LGBTQIA+ no país.
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Fonte: g1.globo.com
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