Economia

Congresso pode votar corte de gastos; Haddad comenta

Congresso pode votar corte de gastos; Haddad comenta
  • Publishednovembro 3, 2025

Congresso pode votar corte de gastos; Haddad comenta

O dólar inicia a sessão desta segunda-feira (3) de olho no mercado interno e externo. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h.

Enquanto o Copom se prepara para mais uma decisão sobre os juros, investidores acompanham sinais do exterior. A paralisação do governo americano continua afetando a divulgação de dados econômicos, enquanto o mercado acompanha indicadores privados e falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

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▶️ O Boletim Focus foi divulgado às 8h25, com projeções atualizadas após os dados do Caged e da Pnad Contínua. A expectativa é que esses números influenciem a decisão do Copom sobre a Selic, atualmente em 15%.

▶️ Nos Estados Unidos, o impasse sobre o orçamento mantém o governo parcialmente paralisado há 34 dias. A ausência de consenso entre democratas e republicanos suspendeu a divulgação de indicadores-chave, como o payroll e o índice de preços ao consumidor (CPI).

🔎 O atraso dos dados oficiais deixa investidores sem parâmetros claros sobre os próximos passos do Federal Reserve. Mesmo assim, parte do mercado segue apostando em corte de juros em dezembro.

▶️ Apesar das limitações, alguns números privados serão divulgados hoje nos EUA. Às 11h45 sai o PMI da indústria, seguido pelo índice ISM às 12h. No fim da tarde, estão previstos discursos de Mary Daly e Lisa Cook, integrantes do Fed.

▶️ Com o fim do horário de verão nos EUA, as bolsas de Nova York passam a abrir às 11h30 e fechar às 18h, o que altera também o expediente da B3. O pregão brasileiro encerrará no mesmo horário, enquanto os mercados de câmbio e juros mantêm o funcionamento normal.

Veja a seguir como esses fatores influenciam o mercado.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

💲Dólar

a

Acumulado da semana: -0,23%;

Acumulado do mês: +1,08%;

Acumulado do ano: -12,94%.

📈Ibovespa

Acumulado da semana: +2,30%;

Acumulado do mês: +2,26%;

Acumulado do ano: +24,32%.

Desemprego no Brasil

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,6% no trimestre móvel encerrado em setembro, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O índice se manteve estável em relação ao trimestre encerrado em agosto, quando o desemprego já havia atingido o menor patamar da série histórica iniciada em 2012.

No trimestre concluído em julho, o resultado também foi o mesmo. Já em maio, a taxa era de 6,2%, e, no mesmo período de 2024, havia alcançado 6,6%.

Ao todo, 6,045 milhões de pessoas estavam sem emprego no país — o menor número já registrado na série histórica. Esse resultado representa uma queda de 3,3% (menos 209 mil) em relação ao trimestre anterior e de 11,8% (menos 809 mil) na comparação com o mesmo período de 2024.

A população ocupada permaneceu estável em 102,4 milhões, mas ainda em nível recorde, crescendo 1,4% no ano (mais 1,4 milhão).

Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, destaca que, na véspera, com dados do Caged, que mostraram a criação de 213 mil empregos formais em setembro — acima das 180,7 mil vagas previstas pelos economistas — fizeram o mercado ficar apreensivo pelos números de hoje.

Contudo, o resultado foi bem-recebido. “A taxa de desemprego ter se mantido mostra um sinal positivo para a perspectiva de menor aquecimento no mercado de trabalho”, diz Tavares.

🔎 A taxa de desemprego é um dos principais termômetros da atividade econômica. Quando o desemprego está baixo, significa que mais pessoas estão empregadas, consumindo e movimentando a economia. Isso pode gerar pressão sobre os preços — ou seja, inflação.

Falas de membros do Fed

A presidente do Fed de Dallas, Lorie Logan, afirmou hoje que não via justificativa para o corte de juros realizado esta semana. Segundo ela, o cenário atual mostra um mercado de trabalho equilibrado e uma inflação que deve permanecer acima da meta de 2% por mais tempo.

“Não vi necessidade de cortar as taxas esta semana. E seria difícil cortá-las novamente em dezembro, a menos que haja evidências claras de que a inflação cairá mais rápido do que o esperado ou que o mercado de trabalho esfriará mais rapidamente.”

Na quarta-feira, o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, reduziu a taxa básica de juros pela segunda vez no ano, em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4%.

O presidente do Fed, Jerome Powell, justificou a medida como forma de evitar uma piora no mercado de trabalho. Logan, que não tem direito a voto no comitê este ano, disse que os dados disponíveis — mesmo com a paralisação do governo — não indicam necessidade de estímulos adicionais.

Ela destacou que o consumo segue acima da tendência, empresas investem em inteligência artificial e centros de dados, e que os riscos ao emprego ainda podem ser monitorados.

Logan também apoiou a decisão de interromper a redução do balanço patrimonial do Fed, citando sinais de que ele já se aproxima de um tamanho adequado.

EUA em paralisação pelo 31º dia

A paralisação parcial do governo dos EUA completa hoje 31 dias, aproximando-se do recorde histórico de 35 dias.

Apesar do agravamento dos impactos sobre a população e os serviços públicos, não há expectativa de que o impasse seja resolvido neste fim de semana. O Congresso só deve retomar as votações na próxima semana, mantendo o cenário de incerteza.

O bloqueio orçamentário é resultado de um impasse entre parlamentares sobre os gastos públicos. Embora haja sinais de que alguns congressistas estejam buscando um acordo, ainda não há clareza sobre os termos de uma possível solução.

Enquanto isso, os efeitos da paralisação se intensificam. Famílias de baixa renda temem a interrupção do programa de assistência alimentar (SNAP), que distribui cerca de 9 bilhões de dólares por mês a 42 milhões de pessoas.

O Departamento de Agricultura afirma que não poderá manter os pagamentos após 1º de novembro sem a aprovação de um novo orçamento.

Além disso, o setor aéreo também sente os reflexos. Atrasos e interrupções em voos já afetam até mesmo senadores, e líderes do setor expressaram preocupação em reunião na Casa Branca.

Em meio à pressão, o presidente Trump sugeriu eliminar o filibuster no Senado para encerrar o shutdown, mas enfrenta resistência dentro do próprio partido.

Bolsas globais

O mercado americano conseguiu recuperar parte das perdas da véspera nesta sexta-feira (31), impulsionado por resultados positivos de grandes empresas de tecnologia. Amazon e Apple divulgaram lucros acima do esperado, o que animou os investidores.

A Amazon teve forte desempenho graças ao crescimento do setor de computação em nuvem e ao aumento nas vendas, mesmo com a inflação. No terceiro trimestre, a companhia apresentou um lucro líquido de US$ 21,2 bilhões, alta de 38% frente ao mesmo período de 2024.

Já a Apple foi beneficiada pela boa recepção da nova linha de iPhones, apesar das tensões comerciais globais. O lucro líquido da companhia foi de US$ 27,46 bilhões, alta de 86,4% em relação ao ano passado.

Com isso, os três principais índices de Wall Street fecharam em alta. Enquanto o S&P 500 subiu 0,29%, aos 6,841.83 pontos, o Nasdaq Composite avançou 0,61%, aos 23,725.89 pontos. Já o Dow Jones Industrial Average teve ganhos de 0,08%, aos 47,562.13 pontos.

Na Europa, os mercados fecharam em queda, refletindo a cautela dos investidores diante dos balanços corporativos divulgados ao longo da semana.

Além disso, a decisão do Banco Central Europeu de manter os juros inalterados e a desaceleração da inflação na zona do euro reforçaram a percepção de que a economia segue dentro do esperado, mas sem grandes estímulos no curto prazo.

Os principais índices europeus registram perdas: o índice pan-europeu STOXX 600 recuou 0,5%. Na Alemanha, o DAX caiu 0,67%, enquanto o FTSE 100, no Reino Unido, teve baixa de 0,44%. Na França, o CAC 40 recuou 0,44%, e na Itália o FTSE MIB avança 0,06%.

Na Ásia, os mercados fecharam sem direção única. Na China, os investidores aproveitaram os ganhos recentes para realizar lucros, após os índices locais atingirem os maiores níveis em uma década.

A trégua comercial entre China e EUA, com promessas de redução de tarifas e retomada de compras agrícolas, perdeu força como fator de impulso, dando lugar à atenção sobre os resultados das empresas chinesas e à economia local.

O índice de Xangai caiu 0,81%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas de Xangai e Shenzhen, recuou 1,47%. Em Hong Kong, o Hang Seng teve queda de 1,43%.

Em contrapartida, o índice Nikkei, de Tóquio, subiu 2,12%, e o Kospi, de Seul, avançou 0,50%. Já Taiwan e Cingapura registraram leves quedas de 0,19% e 0,07%, respectivamente.

*Com informações da agência de notícias Reuters.

Notas de dólar.

Luisa Gonzalez/ Reuters

Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

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Caio Marcio

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