Uma adolescente de 14 anos foi vítima de um grupo satanista online ligado à extrema direita chamado 764, que atua manipulando jovens para práticas de automutilação, abuso sexual e suicídio. O caso ocorreu no Reino Unido e expõe o desafio das famílias e das autoridades em proteger adolescentes vulneráveis de redes online perigosas.
Christina (nome fictício), mãe da jovem, percebeu mudanças no comportamento da filha poucas semanas após ela iniciar conversas em salas de bate-papo na internet. A adolescente teria sido atraída por discussões sobre automutilação e passou a ser coagida por membros do grupo 764 por meio de chamadas de vídeo ao vivo. Segundo a mãe, a filha apresentava sinais de deterioração física e emocional, como perda de apetite e insônia.
O grupo 764, fundado em 2020 por um adolescente americano, tem como foco principal jovens vulneráveis. O número 764 é uma referência ao código postal da cidade natal do fundador, no Texas. A organização opera internacionalmente, especialmente em plataformas como Discord e Telegram, onde membros incitam vítimas a realizar atos nocivos enquanto assistem às transmissões.
A polícia britânica já prendeu pelo menos quatro adolescentes envolvidos com o grupo, incluindo Cameron Finnigan, condenado a seis anos de prisão em janeiro por incentivar o suicídio e posse de material ilegal. Finnigan afirmou que o grupo extorquia pessoas com problemas mentais para exercer controle sobre elas. A unidade antiterrorismo do Reino Unido considera o 764 uma ameaça significativa, investiga cerca de 250 pessoas ligadas a redes similares e atua em crimes que vão de abuso infantil a homicídio em diversos países.
Autoridades alertam que adolescentes muitas vezes não reconhecem que são vítimas desses grupos, dificultando a ação policial. O vice-chefe da divisão de combate ao abuso sexual infantil online da Agência Nacional do Crime (NCA) do Reino Unido, Rob Richardson, destaca a vulnerabilidade das meninas e a necessidade de diálogo aberto entre pais e filhos para identificar comportamentos de risco.
No Brasil, o governo federal orienta pais e responsáveis a monitorar o uso da internet pelas crianças, mantendo um diálogo constante e utilizando ferramentas de controle parental. Em 2020, uma cartilha detalhou recomendações para prevenção, como limitar o tempo online, conscientizar os jovens sobre os perigos da internet e instalar programas de bloqueio de conteúdo inadequado.
Para casos de assédio, abuso ou risco de suicídio, são indicados serviços públicos como o Fala.BR, Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), Disque 100 e o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece atendimento gratuito e sigiloso pelo telefone 188. O Pode Falar, do Unicef, é uma opção para jovens de 13 a 24 anos, disponível via chat. Em emergências, o chamado ao 190, 192 ou 193 é recomendado.
A Fundação Molly Rose, criada após o suicídio da adolescente Molly Russell, reforça o crescimento dessas redes nocivas nas plataformas mais usadas por jovens e alerta sobre a gravidade da situação. O caso da família de Christina demonstra a dificuldade dos pais para proteger os filhos e a importância de ações conjuntas de famílias, autoridades e plataformas digitais para conter esses grupos.
A disseminação desses grupos satânicos online reforça a necessidade de vigilância contínua e da capacitação dos pais para compreenderem os riscos que a internet pode apresentar, além do suporte emocional e acompanhamento profissional para adolescentes em situação de vulnerabilidade.
—
Palavras-chave: grupo 764, adolescente vítima, automutilação online, abuso sexual na internet, suicídio adolescente, controle parental, segurança digital, prevenção ao abuso infantil, polícia britânica, Fundação Molly Rose, extremismo nas redes sociais, grupos satânicos online.
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com

