Produtores de limão em Itajobi (SP) enfrentam queda de produtividade neste ano devido ao clima seco, que comprometeu o desenvolvimento dos frutos e reduziu a colheita. A entressafra tem apresentado frutas menores do que o padrão ideal, o que tem levado parte da produção para a indústria de moagem, que paga menos aos produtores.
Itajobi, reconhecido como um dos maiores produtores de limão do Brasil, possui cerca de 50 mil pés cultivados. O produtor rural Vitor Hugo Roque prevê uma redução de quase 20% na colheita de 2025. Segundo ele, o principal fator para a quebra é o clima seco, que impossibilita o desenvolvimento adequado das plantas.
Apesar de a área ser irrigada, a falta de chuva e o excesso de calor prejudicaram o crescimento dos frutos. A maior parte dos limões está pequena e ainda não atingiu o tamanho necessário para a comercialização no mercado interno e para exportação.
O engenheiro agrônomo Uander Júnior Baunilha destaca que o tamanho do fruto é crucial para a venda, pois limões menores têm menor valor comercial e dificultam o escoamento da produção. Durante a entressafra, a demanda e os preços costumam subir, mas a fruta pequena acaba ficando no pé ou sendo direcionada para a indústria de moagem, que remunera menos os produtores.
Na beneficiadora local, responsável pelo processamento de cerca de 6 toneladas de limão por dia, há uma seleção rigorosa dos frutos. Uander explica que as primeiras etapas da triagem removem os limões que não se encaixam no padrão comercial exigido pelos mercados europeu e sul-americano, que recebem cerca de 30% da produção exportada.
O produtor Ciniro Sorge, que cultiva 2 mil pés, também tem enfrentado perdas. Seu sobrinho e administrador do sítio, João, aponta que a seca tem sido um problema constante nos últimos anos. A combinação de frio no início do ciclo e a baixa disponibilidade de água prejudicou o desenvolvimento das plantas.
Para amenizar esses impactos, os produtores intensificaram a irrigação e adotaram a indução floral, técnica que estimula a produção de flores meses antes da entressafra. No entanto, o consultor agrícola Duan Júnior Magalhães informa que a baixa precipitação limitou a eficácia desse método.
Além da queda na produção, os preços do limão também diminuíram. Em 2024, a caixa chegou a ser vendida a R$ 120 durante a entressafra, enquanto em 2025 o valor não ultrapassou R$ 90. Mesmo diante dessas dificuldades, o produtor Vitor Hugo afirma que continuará investindo na lavoura, motivado pela tradição familiar ligada ao cultivo do limão.
Os agricultores de Itajobi agora esperam a chegada das chuvas de primavera para tentar recuperar parte da produção e possibilitar que os frutos atinjam o padrão exigido para o mercado interno e para exportação. A manutenção dessas condições climáticas será determinante para que o município continue como referência na produção de limão no Brasil.
Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

