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As exportações brasileiras de suco de laranja entre

As exportações brasileiras de suco de laranja entre
  • Publishedoutubro 19, 2025

As exportações brasileiras de suco de laranja entre julho e setembro de 2025 apresentaram queda no volume exportado e na receita em comparação ao mesmo período da safra anterior. O levantamento realizado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) da USP em Piracicaba aponta uma redução de 4% no volume embarcado e de 15% na receita, apesar da manutenção do volume exportado para os Estados Unidos e para a União Europeia.

De acordo com dados do governo federal, foram exportadas 199,7 mil toneladas de suco em equivalente concentrado no terceiro trimestre de 2025, representando um declínio em relação ao ano anterior. A receita total alcançou US$ 751,3 milhões, valor 15% menor que o registrado no mesmo intervalo da safra passada.

O Cepea destacou que, pela primeira vez em vários anos, os Estados Unidos e a União Europeia apresentaram volumes iguais nas compras do produto, com cerca de 48% de participação cada. A faixa equivalente para os dois principais mercados indica uma mudança na distribuição dos destinos das exportações brasileiras.

O avanço de 13% nas vendas para os Estados Unidos, mesmo com a manutenção da tarifa residual de 10% e uma sobretaxa de US$ 415 por tonelada, demonstra a dependência norte-americana do suco brasileiro. Em relação à União Europeia, observou-se uma retração de 8% nas compras, atribuída à redução da demanda após os altos preços e problemas de qualidade na safra anterior.

A isenção da sobretaxa de 40% para o suco de laranja permitiu a manutenção dos embarques para os Estados Unidos, mas os produtos derivados, como óleos e farelos, continuam sujeitos a uma alíquota de 50%, o que pode limitar seu desempenho no mercado externo. O Cepea aponta para a necessidade de acordos bilaterais que assegurem a competitividade do setor diante das tarifas vigentes.

No ciclo da safra 2024/25, encerrado em junho de 2025, o volume exportado foi o menor em quase três décadas, mas a receita atingiu um valor recorde de US$ 3,48 bilhões, crescimento de 28,4% em relação ao ciclo anterior. Ainda assim, o futuro do setor permanece incerto devido à estagnação do consumo internacional e aos efeitos das tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos.

Pesquisadores do Cepea indicam preocupações do setor frente à possibilidade de aumento tarifário para até 50% sobre o suco de laranja brasileiro, especialmente diante da expectativa de maior produção nacional nas próximas temporadas. Mesmo com o cenário adverso, o saldo financeiro da safra 2024/25 proporcionou capitalização importante para o setor.

Além dos desafios comerciais, fatores fitossanitários também afetam a produção. A doença conhecida como greening, causada por uma bactéria transmitida pelo inseto psilídeo, tem se espalhado em áreas produtoras no estado de São Paulo, principalmente nas regiões de Limeira, Avaré e Bebedouro. O greening prejudica a saúde das plantas e a formação dos frutos, impactando a oferta e influenciando os preços da laranja.

O aumento da presença da doença na região contribuiu para a valorização da fruta, que atingiu o maior patamar dos últimos 30 anos em São Paulo, segundo estudo da USP. A situação reforça a complexidade dos desafios enfrentados pelo setor citrícola brasileiro entre questões sanitárias e tensões comerciais.

Com o cenário atual, agentes do mercado adotam uma postura de prudência e enfatizam a importância da inovação e da busca por novos mercados para sustentar a competitividade do suco de laranja brasileiro no exterior, mantendo a relevância dos Estados Unidos e da União Europeia como destinos principais.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

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