O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, se reuniu nesta quinta-feira (16) em Washington com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, para negociar a tarifa de 50% imposta pelo governo Trump sobre produtos brasileiros e outras sanções contra autoridades do país. O encontro foi agendado após uma conversa telefônica entre os dois na semana anterior e confirmado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante evento no Rio de Janeiro.
Marco Rubio, designado por Donald Trump para liderar as negociações, já foi um dos principais articuladores das medidas punitivas contra o Brasil. Além do aumento tarifário, ele esteve à frente da imposição de sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que Bolsonaro acusa por perseguição política, e coordenou a revogação de vistos de autoridades brasileiras em retaliação ao Programa Mais Médicos.
Nascido em Miami em 1971, filho de imigrantes cubanos, Rubio começou sua trajetória política cedo e se destacou como senador da Flórida. Ele ganhou notoriedade por sua posição linha-dura em política externa e foi uma das principais vozes republicanas contrárias a Lula durante suas campanhas. Apesar das divergências, Rubio mantém atualmente uma relação próxima com Trump, que o indicou em novembro de 2024 para o cargo de secretário de Estado.
Rubio supervisiona hoje o Departamento de Estado americano, com mais de 70 mil funcionários sob sua gestão. Ele é o primeiro americano de origem latino-americana a ocupar a posição mais alta da diplomacia dos EUA. Ao longo de sua carreira, adotou uma postura firme em relação a regimes autoritários e apontou a China como a maior ameaça global aos interesses norte-americanos. Na crescente rivalidade com Pequim, ele insiste na necessidade de políticas que impeçam o avanço tecnológico e econômico da China.
Em sua atuação recente, Rubio tem criticado o governo brasileiro em diferentes frentes, questionando o alinhamento do país com a China e Venezuela, além de manifestar preocupações sobre a liberdade de expressão, especialmente em referência ao bloqueio temporário do aplicativo X (antigo Twitter) no Brasil. Ele também condenou publicamente a decisão do STF de condenar Jair Bolsonaro e classificou o processo como uma “caça às bruxas”.
O secretário americano justificou sanções diretas contra o ministro Alexandre de Moraes e seus familiares, citando violações de direitos humanos e perseguição política. O Itamaraty respondeu afirmando que as ameaças não intimidam a democracia brasileira. A postura de Rubio em relação ao Brasil tem sido vista como delicada por parte do governo brasileiro, que preferia um interlocutor menos controverso, mas reconhece a vantagem de negociar com alguém com poder direto de decisão sob a administração Trump.
Além das questões bilaterais, Rubio tem uma longa trajetória de posições linha-dura em temas globais. Ele apoiou as sanções contra a Rússia e defendeu a Ucrânia no conflito com Moscou, mas desde que assumiu como secretário passou a adotar uma agenda mais alinhada às prioridades do governo Trump. Em 2023, criticou publicamente pedidos de cessar-fogo em conflitos, como o entre Israel e Hamas, e defendeu a continuação das operações militares para eliminar grupos terroristas.
Marco Rubio também tem sido apontado como potencial candidato à presidência dos Estados Unidos em 2028. Analistas consideram que sua ascensão no governo Trump reforça essa perspectiva. O próprio presidente americano já mencionou Rubio como possível sucessor, após se tornar inelegível para um novo mandato.
O encontro desta quinta-feira marca uma etapa importante nas relações comerciais e diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, com Rubio representando a ala mais rígida da administração Trump. A negociação sobre a tarifa de 50% e demais sanções poderá impactar o comércio bilateral e o diálogo político entre os dois países nos próximos meses.
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Fonte: g1.globo.com
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