O preço da soja nos Estados Unidos caiu significativamente e

O preço da soja nos Estados Unidos caiu significativamente em 2019 devido à guerra comercial entre os EUA e a China, afetando diretamente os produtores americanos que enfrentam redução nas vendas para o mercado chinês. A imposição de tarifas adicionais por parte de Pequim tem dificultado o acesso dos agricultores americanos ao maior mercado mundial de oleaginosas, gerando perdas financeiras durante a temporada de colheita.
A China aplicou uma tarifa extra de 20% sobre a soja americana como retaliação às tarifas dos EUA, tornando o produto norte-americano menos competitivo em relação à soja produzida na América Latina. Essa medida levou à queda de 40% nos preços da soja, segundo dados da Associação de Soja dos Estados Unidos (ASA), além de uma redução de 50% nas exportações para o país asiático, que antes representavam metade das vendas totais americanas do produto, avaliadas em 24,5 bilhões de dólares.
Produtores americanos, como Travis Hutchinson, de Maryland, relatam dificuldades para manter a rentabilidade mesmo com boas colheitas, já que a demanda chinesa diminuiu. Hutchinson, que cultiva soja e milho em uma área de mais de 1.300 hectares, afirmou que, apesar de apoiar negociações melhores entre os governos, a atual situação comercial representa um desafio para a sobrevivência financeira de sua produção.
Além da soja, a disputa comercial afeta outros setores agrícolas e industriais. Em resposta às restrições chinesas, o presidente Donald Trump manifestou intenção de aumentar tarifas em até 100% sobre produtos chineses e cancelou um encontro previsto com o presidente chinês Xi Jinping. Paralelamente, o governo norte-americano prometeu compensar os agricultores com parte das receitas originadas pelas tarifas, embora detalhes sobre os valores não tenham sido divulgados.
A competição pela preferência chinesa tem favorecido principalmente o Brasil, que registrou recordes anuais de exportação de soja já em outubro de 2019. A Argentina também tornou sua soja mais competitiva ao suspender impostos sobre a exportação, influenciando o mercado global da oleaginosa. Esses fatores aumentam a pressão sobre produtores dos EUA que já enfrentam estoques elevados e dificuldades de comercialização, especialmente nas regiões centrais do país.
Economistas da ASA apontam que a atual situação supera os impactos da guerra comercial anterior entre EUA e China de sete anos atrás, quando as perdas em exportações foram estimadas em cerca de 27 bilhões de dólares. Na ocasião, o governo dos EUA forneceu subsídios de 23 bilhões para mitigar os prejuízos. No entanto, o atual contexto é diferente devido a custos mais altos para o setor, em especial para manutenção de maquinário agrícola, agravando o cenário financeiro dos produtores.
Dados recentes indicam aumento de 50% nas falências dentro do setor agrícola em comparação ao ano anterior, evidenciando a pressão econômica enfrentada pelo setor. Produtores pedem soluções duradouras e acordos comerciais que possam restabelecer o fluxo de exportações e assegurar a viabilidade da produção agrícola nos Estados Unidos.
Em resumo, a guerra comercial entre os EUA e a China provocou uma queda expressiva nos preços da soja norte-americana e reduziu as vendas para um mercado-chave, com impactos que se refletem em dificuldades financeiras para os produtores. Enquanto os governos continuam a negociar tarifas e acordos, o setor agrícola busca medidas que possam garantir sua estabilidade e competitividade no mercado global.
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Fonte: g1.globo.com
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